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Tudo iniciou assim....

Peregrinação familiar aos lugares santos do exílio do Pe. José Kentenich - presente de Deus no Ano do Pai

Tudo iniciou assim.... como quis a Divina Providência

Em 2017 a Família Silva, do 15º Curso da União de Famílias (Curitiba) que está residindo nos Estados Unidos, fez uma visita a Milwaukee e publicou nas redes sociais a alegria por esta experiência. O contato com este relato e as fotos desta visita nos deixaram motivados a um dia realizar também está viagem às terras do tempo do exílio do Pai e Fundador.

Em 15 de setembro de 2017 iniciamos o ANO PADRE JOSÉ KENTENICH, jubileu de 50 anos da partida do Pai e Fundador para a morada eterna, momento importante para a Família de Schoenstatt em que particularmente como membros desta Obra fomos movidos a aprofundar nossa vinculação ao Pai. Com esta motivação, nossa filha Suzana começou então a instigar a possibilidade de fazermos a viagem para os Estados Unidos em família, para que pudéssemos conhecer Milwaukee neste Ano do Pai. Além dela que é médica e faz residência, temos mais 2 filhos universitários, Vitor e Viviane, todos schoenstatianos, participantes de JUFEM e JUMAS. Para tanto, precisávamos organizar nossa vida nos campos do trabalho, estudos, financeiro, familiar e.…espiritual! E Deus Pai foi cuidando de tudo, desde o período possível na agenda de todos da nossa família, passando pela busca de promoções nas passagens aéreas e também da estadia em Milwaukee.

Com a indicação da Janaina (Família Silva) em maio entramos em contato por e-mail com a Irmã Marguerita a fim de solicitar uma visita guiada por parte das irmãs de Maria do Centro Internacional de Schoenstatt, em Waukesha, cidade vizinha de Milwaukee. Era muito interessante como nas mensagens a Irmã se despedia desejando bênçãos dos nossos lugares santos. Esta forma de se referir a Milwaukee nos deixou curiosos para entender porque terras santas? No decorrer da troca de mensagens, ao longo de 2 meses, passamos por momentos de dúvida e ansiedade no sentido de saber se conseguiríamos esta visita já tão almejada por todos nós. Percebemos que a Irmã Marguerita se esforçava em encaixar nossa solicitação na agenda já bastante comprometida com grupos do Movimento de Schoenstatt (havia um retiro programado para famílias do Chile) e também porque no período possível para nós, aconteceria um Retiro anual das irmãs de Maria, fato que diminuía a possibilidade de ter uma Irmã liberada para nos acompanhar. Fomos insistentes (nos pedidos e nas orações) e as Irmãs se esforçaram muito e conseguiram nos atender! E no dia 12 de agosto, domingo Dia dos Pais e aniversário da Suzana, lá estávamos! Grande presente para ela e todos nós!!!

A parte turística da viagem seria em Nova York e Chicago, mas o que nos movia interiormente era a Peregrinação Familiar a Milwaukee. Para tanto, começamos a nos preparar espiritualmente, realizando Hora de Schoenstatt Familiar, uma vez na semana, quando um de nós cinco preparava um tema sobre o tempo do exílio do Pai e Fundador. Assim conhecemos e aprofundamos detalhes da sua pessoa neste tempo e também nos preparamos no sentido de como cada um gostaria de se dirigir ao Pai e Fundador. Como Capital de Graças fizemos a conquista do símbolo do Olho do Pai do nosso Santuário Lar (Nova família do Pai), rezando uma linda oração elaborada pelo 19º Curso da União de Famílias, na qual o dizer “o Pai me vê, o Pai me ama e o Pai precisa de mim! Sim Pai” fortaleceu nossa confiança em Deus Pai e na pessoa do Pai e Fundador, como seu reflexo de Pai amoroso para com seus filhos prediletos. E com este espírito filial nos preparamos para muitas coisas que iríamos ver, ouvir e vivenciar.

Primeira parada – Santuário da MTA em Staten Island, NY.

Visitar este Santuário repercutiu em muitas emoções. Primeiro precisamos atravessar o rio que circunda a ilha de Manhattan em uma enorme balsa (gratuita). No trajeto que leva 30 minutos fomos nos distanciando dos grandes prédios e nos aproximamos do símbolo maior dos Estados Unidos, a estátua da Liberdade! Muitas fotos foram tiradas para garantir o registro deste momento e passamos a entender o espirito de patriotismo do povo americano, que ama ardorosamente sua pátria e a reverencia em todos os espaços com a bandeira nacional. Mas estávamos em busca de algo mais... o ideal da Liberdade interior que nosso Pai tanto enfatizou nos seus ensinamentos na busca em forjar o Homem Novo! E esse caminho de vida passa pela Escola de Maria, o Santuário, que nesta localidade traz algo bastante peculiar...o Santuário filial, exatamente como os nossos, está dentro de uma típica residência americana!!! Lá fomos acolhidos pela Irmã Vanessa e depois que fizemos nossas orações, a senhora Teresa, do Ramo das Mães, nos mostrou o interior da casa e nos contou um pouco sobre a vida do Movimento. Um espaço da casa muito especial é a sala que lembra o local de morte do Pai e Fundador e que também tem objetos que recordam sua última passagem por lá, quando voltou finalmente para Schoenstatt, após os 14 anos de Exílio. Deixamos no caderno de visitantes o registro de nossa passagem por lá (encontramos a assinatura de outras famílias da União) e a Irmã Georgina com muita gentileza nos deu uma carona até a balsa para voltarmos a Manhattan.

Chegada ao destino sonhado

Depois de alguns dias em Nova York, seguimos para Waukesha onde nos hospedamos em um hotel, pois não havia lugar no Centro Mariano. A Irmã que nos acompanhou nos lugares santos de Milwaukee foi a Irmã Teresa, que com muita paciência e disponibilidade ficou junto à nossa família por dois dias inteiros. Ela é argentina por parte de pai e americana por parte da mãe. Tem uma bela história em Schoenstatt e mesmo com sua família morando na Argentina se decidiu pela vocação religiosa junto à Comunidade das irmãs de Maria nos Estados Unidos, onde está há mais de 25 anos. Trabalha na casa de retiros recebendo os visitantes, sendo que também morou por dois anos na casa do movimento em Milwaukee.

Waukesha é uma pequena cidade, no meio do caminho entre Madison e Milwaukee. O Centro Mariano está localizado em um sítio que foi escolhido pelo Pai e Fundador que anteviu a necessidade de um grande local para receber schoenstatianos do mundo todo. Este Centro Internacional de Schoenstatt tem a casa provincial das Irmãs de Maria, uma grande casa de retiros, a casa Padre Kentenich (museu) e o Santuário.

O ponto de encontro e início da peregrinação havia sido acertado numa das mensagens por e-mail com Irmã Teresa, que nos sugeriu que participássemos da missa dominical às 7 horas da manhã. Conseguimos chegar até o Centro Mariano no horário combinado, mas nos atrasamos alguns minutos para a missa, pois não sabíamos que seria na Casa Provincial das Irmãs de Maria. Já na bela capela desta casa participamos da missa que foi celebrada por um padre de Schoenstatt da África, que num inglês bem articulado nos envolveu na celebração. Também tivemos a oportunidade de ver muitas irmãs que estavam naqueles dias em retiro. Ao final da celebração, a irmã Teresa veio até nós e após nos apresentarmos, ela nos informou que deveríamos tomar café e na sequência nos encontraríamos com a Irmã Petra!

Antes de nos dirigirmos para a casa de retiros fomos ao Santuário que foi inaugurado em 1964 e recebeu o título de Santuário Nacional, sendo que o Pai pôde estar neste local por algumas vezes.

O primeiro encontro com Irmã Petra foi maravilhoso. Estávamos apenas nossa família e ela numa sala de visitas e pudemos desfrutar de um período de 3 horas no qual ela com grande alegria nos contou muitos ensinamentos do Pai. Nos marcou... 

A fidelidade no pequeno – Pe. Kentenich celebrava uma missa no Santuário de Milwaukee todos os dias às 6 horas da manhã e uma vez foi perguntado por uma senhora se poderia iniciar a missa mais cedo, pois ela tinha que deixar a missa a tempo de ir para o trabalho e nunca conseguia comungar. Então ele se propôs a lhe conceder a eucaristia antes da missa, porque os schoenstatianos de todo o mundo sabiam que ele iniciava a celebração às 6 horas e o acompanhavam espiritualmente e ele não poderia deixar de ser fiel à sua família mesmo nas pequenas coisas. 

As palavras proféticas do Pai – Perguntamos como era o dia a dia de trabalho do Fundador e Ir. Petra nos contou que o mais impressionante é que ele ditava os textos para ela datilografar durante horas sem que fosse necessário se fazer qualquer tipo de correção. Um dia ela questionou o Pai, como ele conseguia ditar tudo de maneira correta e ele lhe disse que todas as ideias e palavras nasciam em seu coração e deviam ser anunciadas e assim ele simplesmente as ditava.

Após este tempo de muito aprendizado com Ir. Petra, ficamos felizes em saber que poderíamos nos encontrar com ela no dia seguinte para gravar um depoimento para a JUFEM, como foi pedido por nossas filhas.

Almoçamos na Casa de Retiros e depois partimos para Madison. No caminho Irmã Teresa foi nos contando sobre a história do Santuário. Devido ao contato com o Pai Fundador antes do exílio, os padres palotinos que possuíam um seminário em Madison, ajudados pelos seminaristas, resolveram em 1952 construir com as próprias mãos um Santuário filial dentro do terreno do seminário. Posteriormente as Irmãs de Maria que já atuavam em Madison, adquiriram para sua moradia, um terreno do outro lado da rua. Anos mais tarde, passando por dificuldades financeiras, os palotinos resolveram vender o seminário, que foi oferecido para as Irmãs, que não tinham condições de arcar com o valor. Na eminência de ter o Santuário desmanchado, surgiu a ideia de transferir a construção para o terreno das irmãs. E assim foi feito, numa magnífica obra de engenharia, o prédio do Santuário foi colocado em cima de um caminhão e levado para o outro lado da rua e depositado aonde hoje ele se encontra.

No final do primeiro dia retornamos para Waukesha para o jantar e conhecemos a parte nova da casa de retiros, construção grandiosa que serve para encontros da Família de Schoenstatt.

Segundo dia – a caminho do Santuário do Exílio

Nosso 2º dia de peregrinação começou novamente com a Ir. Petra que nos recebeu sempre muito solicita e na sala de visitas fizemos a gravação de um vídeo para a JUFEM e outro para a União de Famílias falando de Hoerde. Ela ainda se colocou à disposição para mais algumas perguntas. Vitor perguntou sobre a presença de Mário Hiriart em Milwaukee e ela contou sobre a impressão forte que teve com sua pessoa pelas características: distinta, compenetrada quando o viu no Santuário. Disse que o Pai percebendo que Mario estava doente, recomendou que fosse ao médico, sendo hospitalizado. Neste tempo o Pai o visitou duas vezes no hospital e em poucos dias ele veio a falecer. Antes, porém, ao saber da construção do Santuário Nacional em Waukesha, Mario Hiriart entregou sua vida para o fundamento deste Santuário.

Em seguida rumamos para Milwaukee. Conhecemos primeiro o Cemitério-parque, onde o Pai fazia sua caminhada diária para orações e meditações e também onde frequentemente era interrompido por alguém que o procurava para conversar e fazer direções espirituais. Depois fomos para a Casa do Movimento e conhecemos a sala onde ele reunia as famílias nas Segundas-feiras ao anoitecer, a sala de jantar onde foram celebrados aniversários, natais etc. São muitas as fotos do Pai Fundador nesta casa, mostrando sua vivência como alguém que pertenceu a uma grande família. A gente tem a sensação de que ele pode aparecer ali a qualquer momento. Ficamos sabendo da história que o Santuário foi perseguido durante um tempo e fizeram retirar o altar e imagens de dentro do Santuário. Neste período o altar foi levado pelas irmãs para uma sala onde hoje fica a capela da Casa do Movimento. Nesta casa existem também muitos paramentos, objetos e utensílios usados pelo Pai. No porão funciona a sala de reunião e refeitório do Movimento e no sótão é a residência das Irmãs. Esta Casa foi escolhida pelo Pai que sentiu a necessidade de ter um local para se reunir com as famílias e fica a uma quadra do Santuário.

Seguimos para o Santuário do Exílio que está localizado em um terreno (do tamanho de meio quarteirão) pertencente aos Palotinos, onde existe uma residência dos padres, um prédio em que funciona uma escola, uma igreja e nos fundos um grande jardim que dá acesso à outra rua. Como na maioria das cidades americanas, não existem muros e portões em volta desta área. Há alguns anos os Palotinos deixaram o Santuário aos cuidados das Irmãs de Maria. Este foi o local para aonde Pe. Kentenich foi enviado pelo Santo Ofício, a fim de que ficasse afastado do Movimento de Schoenstatt, como forma de se averiguar se o Movimento era obra divina ou de um homem. Nossa grande pergunta era então, porque havia um Santuário filial neste local? O Pai Fundador chegou a Milwaukee em 1952 e foi morar na residência dos Palotinos. Foi lhe cedida uma pequena sala para trabalho no 1º andar da residência, com uma janela virada para o jardim dos fundos. Em 1954 a Igreja celebrou um ano santo mariano e então o Arcebispo de Milwaukee, que era grande devoto de Nossa Senhora, pensou em realizar algo que marcasse este ano, lançando a ideia de se construir um Santuário igual ao de Madison. Os Palotinos então ofereceram o jardim dos fundos do terreno para local do Santuário. De uma hora para outra o Pai Fundador passou a ver da janela de seu escritório a construção de um Santuário e aonde depois, a poucos passos de sua morada, passou a celebrar a missa diariamente. Neste Santuário ele celebrou mais de 3000 missas ao longo de 10 anos. Como ele dizia “A Mãe nunca me abandonou, por isso veio atrás de mim”. Tivemos então a graça de renovar nossa Aliança de Amor em família e entregar nosso Capital de Graças do Olho do Pai, neste local santo e abençoado.

No horário do almoço nos dirigimos para um parque público que beira o Lago Michigan, onde Irmã Teresa nos serviu um piquenique. Depois fomos até às margens deste imenso lago, no mesmo local que o Pai Fundador costumava ir com os padres e seminaristas e faziam a competição de arremessar pedrinhas para ricochetear na superfície do lago. Retornamos ao Santuário do Exílio e tivemos a graça de poder participar de uma Santa Missa junto com o grupo de famílias chilenas que estavam participando do retiro. Terminamos nosso dia jantando no Centro Mariano em Waukesha, mas antes de nos despedirmos fomos levados para conhecer a Casa Padre Kentenich. Esta casa é a única construção que existia no sítio quando ele foi adquirido. Ela foi restaurada e transformada em um museu, com objetos que foram do Pe. Kentenich, com um curioso painel que mostra uma linha do tempo, com os fatos da vida do Pai Fundador, do Movimento, da história da Igreja, dos Estados Unidos e do mundo durante o tempo que Pe. Kentenich viveu em Milwaukee. O mais impressionante é que no porão da casa, as Irmãs de Maria reproduziram a capela na qual de 1958 a 1964 o Pai Fundador celebrou a missa dominical para uma comunidade de imigrantes alemães de Milwaukee. A mobília, bancos, ambão, confessionário e altar são os originais, conseguidos pelas Irmãs quando souberam que a capela ia passar por uma reforma.

Muitas são as histórias nas pegadas do Pai em terras americanas, nas palestras às famílias, nas celebrações eucarísticas no Santuário, na vida que foi despertada com a presença do Pai, que mesmo no exílio e com muitas contribuições ao Capital de Graças, se deixou conduzir pela MTA de maneira silenciosa para o desenvolvimento da pedagogia e espiritualidade de Schoenstatt. 

Foi uma benção estar em família nesta peregrinação, que nos enriqueceu e assim o amor ao Pai e Fundador cresceu em nossos corações...na alegria em sermos filhos de um pai, reflexo de Deus Pai, que nos acolhe, educa, orienta, apoia e envia, por Maria, a anunciar Cristo ao mundo!

Nos dois dias intensos que lá passamos, experimentamos aquilo que Irmã Marguerita nos falou quando enviamos mensagem agradecendo a acolhida que tivemos: “ É realmente impressionante, que possamos conhecer nossa história de Schoenstatt por muitos anos, mas ao vir a Milwaukee, encontramos algo novo, um tesouro.”

Família Guariente – Laercio, Maria Helena, Suzana, Vitor e Viviane

Familia Guariente Londrina/Paraná
TESTEMUNHO ORACY E SILVIA

Era final de 2009 quando eu e meu esposo Oracy conhecemos o Movimento de Schoenstatt por intermédio do Pe Marcelo do Instituto Secular dos Sacerdotes Diocesano de Schoenstatt. Logo após, fomos convidados a conhecermos a Liga de Famílias pela minha irmã Susana e meu cunhado Diácono Sérgio e selamos nossa Aliança de Amor em 12 de setembro de 2011, pela Liga de famílias, no 2º triênio em preparação ao Centenário (2010-2011). Muitas eram as novidades agradáveis que nos chegavam: Aliança de Amor, capital de graças, os santuários (original-filial-lar-paroquial-coração), 18 de outubro, a infância do Fundador, Gymmich, Dachau, exílio; mas, a coisa certa em tudo para mim era Maria, assim fui atraída, e aos poucos entendendo as informações dentro de seus contextos. No Movimento de Schoenstatt, o que mais me intrigava era como as pessoas se referiam ao Fundado como “Pai”! Com o tempo fui me habituando a isso. Eu mesma comecei a me referir a ele assim, mas não conseguia sentir essa paternidade. Era inicio de 2011 e a preparação para o centenário vinha de uma forma muito intensa pelos triênios. Certo dia, pedi a MTA que precisava sentir essa paternidade que tanto se ouvia falar. Em Abril de 2011, fomos no Encontro para Dirigentes da Liga de Famílias em Atibaia e tivemos a graça de escutar Ir. M. Petra Schnuerer e muito de sua convivência com o Pai Fundador no seu tempo de exilio; ao final de sua conversa com os presentes ela disse que faria um gesto sempre repetido pelo Pe Kentenich e assim presenteou a cada pessoa/casal que ali se encontrava, pediu que escolhesse uma das duas fotos que trouxera: uma foto era a do Pai com a mão levantada nos abençoando e a outra era as mãos do Pai em forma de “ninho”; escolhemos eu e meu esposo a segunda: as mãos do Pai em forma de “ninho”; que nos atraiu pela história que ela mesma vivenciou com o Pai, contado em seu Livro: Um Encontro com o Pe. Kentenich – Fui em busca de um Fundador e encontrei um Pai, p.155 a 158. Como família, fizemos a conquista espiritual e a entronizamos em nosso Santuário Lar. Estava passando por um período em que sempre me sentia triste, angustiada, perdia o sono com muita frequência e tudo isso sem motivo aparente, pois tenho uma família linda com saúde, um esposo muito compreensivo e as filhas que Deus nos presenteou que são uma joia rara; não sabia a razão daquele sentimento que me acompanhava. Certa madrugada levantei e fui ao Santuário-lar, como fazia sempre que perdia o sono e deitei no sofá e perdida nos pensamentos lembrei do relato da Ir. M. Petra, levantei rapidamente e repeti o mesmo gesto que a ela fez com o Pai. Como se estivesse com os meus sentimentos em minhas mãos, entreguei nas suas, falando em voz alta, pedi para que ele tirasse toda aquela angústia de meu coração, e a partir daquele gesto os sentimentos que me acompanharam muito tempo, sumiram! A partir daquele instante uma alegria atingiu meu ser e assim hoje sei que ele é o meu Pai e intercede por mim. E, sempre que passamos por algum fato importante em nossa família entregamos neste gesto ao Pai para cuidar da situação e ele sempre intercede por nós! No ano de 2012 fomos convidados a integrar o XXIII Curso da União de Famílias e agora estamos nos preparando para a nossa Consagração nessa Comunidade.

ORACY E SILVIA – XXIII CURSO/SP TAQUARITINGA/SP
TESTEMUNHO DAIANNA LIMA - XV CURSO

Conheci o Movimento Apostólico de Schoenstatt, desde muito pequena. Meus pais participaram da inauguração do Santuário Magnificat em Curitiba, quando eu tinha 3 anos. Minha mãe participou da Liga das Mães, eu e minha irmã iniciamos nas Apóstolas Luzentes de Maria, após participamos da Juventude Feminina, e eu então, da União de Famílias. Aos poucos naturalmente fui conhecendo a história de Schoenstatt, e de nosso Pai e Fundador. Tive um maior aprofundamento na história de vida do Padre Kentenich, quando eu e meu esposo nos tornamos formadores do XXVI curso da União de Famílias em Curitiba. Rever com maiores detalhes sua história de vida depois de muitos anos em Schoenstatt, me aproximou muito de nosso Fundador, mas minha experiência maior de tê-lo como meu Pai, aconteceu em novembro de 2015, quando tive a grande graça de estar com meu esposo em Schoenstatt, e receber um grande presente da Mãe de Deus, através das acolhedoras Irmãs de Maria: receber a chave da Capela da Adoração, para que pudéssemos ficar após o horário de fechamento da Capela da Adoração, e ficarmos a sós com nosso Pai e Fundador. Foi um momento incrível!!!! O sentimento de nosso Pai estar muito, muito próximo.....as lágrimas começaram a surgir, sem controle.....eu não conseguia parar de chorar.......foi algo Divino!!! Me senti uma filha muito amada!!! Isto aconteceu no primeiro dia em que chegamos em Schoensatt, e a partir de então, não tinha como deixar de ir até a Capela da Adoração e dar um “oi” para nosso Pai todos os dias. A partir deste dia, nosso Fundador se tornou um grande Pai para mim. Sua vida inspirou grandes decisões na minha vida, entre elas, a mudança de país de nossa família devido oportunidade no trabalho de meu esposo. A aproximação de como viver o “20 de janeiro” hoje, motivada por sua Atitude filial, sua Confiança Heroica, sua Fidelidade, sua Nobreza, me encorajaram a dar um “salto mortal da fé e da razão”, confiando que o “Pai tem o leme nas mãos, embora eu desconheça o destino e a rota”! E neste ano em que comemoramos os 50 anos de seu falecimento, selei a Aliança Filial com ele, juntamente com meus irmãos do XV curso da União de Famílias. Um momento único, que me impulsionou ainda mais a seguir seus ensinamentos, sua pedagogia, seu carisma, o seu “Dilexit Ecclesiam”. Desejo muito e rezo, para que todos os schoenstattianos possam experimentar a alegria e a graça de serem filhos espirituais de nosso Pai e Fundador, e seguir o seu carisma e fidelidade de instrumento nas mãos de nossa Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Unidos na Aliança de Amor e na missão, Meu fraterno abraço,

DAIANNA B.R.LIMA - XV CURSO Curitiba/Paraná
TESTEMUNHO NELSON A. M. PACHECO

Estava terminando o mês de agosto de 2016. Recebi o recado que o Dr. Marco Duarte Pilla precisava falar comigo sobre o resultado dos exames de rotina que havia realizado, seguindo uma prática que já vinha desde o final da década dos anos de noventa. Pela primeira vez isso acontecia, mas não me preocupei. O ano de 2016 tinha se caracterizado até ali por muitas exigências. No campo profissional, o trabalho no Tribunal de Justiça era estafante, com uma distribuição de recursos e ações originárias crescente. No terreno eclesial, estavam em andamento as reuniões preparatórias para o início do XXX Curso da União de Famílias, o presente que tencionávamos dar à Mãe de Deus e ao Padre Kentenich na comemoração dos 30 anos do Santuário Tabor Maria Cor Ecclesiae. Na época, eram nove famílias que havia dado o seu sim ao convite da Mãe de Deus e de nosso Pai e Fundador, o que muito nos alegrava. Estávamos repletos de projetos e queríamos implementá-los para o louvor e a glória da Trindade Santíssima, de nossa Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e do Pe. Kentenich. Decidi ir ao encontro do médico no final daquela tarde. O Dr. Marco me recebeu em sua sala no terceiro andar do prédio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul com cordialidade e firmeza, dizendo que o resultado do meu hemograma preocupava. A hemoglobina havia baixado de 15, onde estava estacionada há muitos anos, para 11,3 e isso merecia investigação. Deu-me a requisição de novo hemograma, recomendando que o realizasse o quanto antes. Redargui que estava com muitas atividades, a primavera se avizinhava e tudo voltaria ao normal, prometendo-lhe fazer o exame depois do início do horário de verão, pois tencionava voltar as atividades físicas ao ar livre, às margens do lago Guaíba. Aparentemente ele aceitou as minhas ponderações e fui embora com o propósito de só renovar o exame em meados de outubro. O mês de setembro de 2016 me reservou algumas experiências desagradáveis. Fomos a Garopaba comemorar o aniversário da Ana Virginia. Saímos para caminhar e mal consegui subir o aclive que leva à antiga Igreja de São Joaquim e que que dá acesso ao caminho para a praia do Vigia, tamanha a fadiga que me acometeu. Naquela tarde dormi mais do que o habitual. É verdade que já estava notando o meu decréscimo físico ao realizar os exercícios de inverno na esteira e no elíptico. Voltamos para Porto Alegre. As escadas que separam a garagem do primeiro nível da casa pareceram ter aumentado de tamanho, pois cheguei ofegante. Outros sinais foram aparecendo, como o sangramento nas narinas, o inchaço das gengivas, mas tudo parecia norma. No sábado seguinte fomos comemorar o aniversário da Thaise, a esposa do Fábio, nosso filho, e todos notaram a minha palidez e se preocuparam comigo, especialmente as minhas filhas Fernanda e Fabiana e minha esposa que me pressionaram para fazer o hemograma o quanto antes. Prometi-lhes que iria fazê-lo na semana seguinte. Naquela época tinha uma camioneta Korando e sua revisão dos dez mil quilômetros se aproximava. A concessionária de Porto Alegre havia encerrado as suas atividades e agendei a revisão para Caxias do Sul. Estava marcada para o dia 04 de outubro. Programei a minha viagem para Caxias do Sul e decidi fazer o exame naquela manhã. Saí de casa às 7h15min e estacionei o veículo num restaurante nas proximidades do laboratório. Cheguei as 7h22min. Quando ia retirar a senha a recepcionista mandou que passasse para ser atendido. Surpreendentemente, o laboratório estava vazio naquele horário e não compreendi. Fui atendido rapidamente, a senhora preencheu o formulário do convênio e disse-me para passar à coleta, pois estava sem papel na impressora e me levaria o recibo em seguida. Isso nunca havia acontecido. Na saída da sala de coleta, por volta de 7h27min, a sala de espera já estava repleta. Foi para o meu gabinete no Tribunal de Justiça e trabalhei naquela manhã. Dali rumei para Caxias do Sul por volta de 11h, levando um celular carregado e novo para a viagem. Cheguei na concessionária às 13h30min, entreguei a camioneta à recepcionista e fui aguardar na sala de espera, onde adormeci e assim fiquei até ser chamado quando o veículo ficou pronto. Notei que o celular estava ligado e sem comunicação. Tentei ligar para casa e não consegui. Voltei de Caxias do Sul às 16h30min e na descida da serra o telefone voltou a funcionar. Imediatamente recebi uma ligação de casa. Era a Ana Virginia muito preocupada, dizendo que tinha recebido ligações do Tribunal e do Dr. Marco Duarte Pilla e que precisava falar-me com urgência. Marcamos para nos encontrarmos às 18h30min para participarmos da missa no Santuário Santo Antônio Pão dos Pobres. Cheguei um pouco depois do horário previsto, pois havia muito trânsito no retorno, mas foi possível participar da Celebração Eucarística com a minha esposa, participar da mesa da palavra e do Corpo e Sangue de Cristo. No final, diante da imagem de nossa Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável, ela me deu a notícia de que precisava de internação hospitalar imediata. Era isso que o médico queria me comunicar e não conseguiu durante todo a tarde daquele dia 04 de outubro. Não aceitei a notícia e disse que estava precisando ir em casa, pois não havia comido nada naquele dia. Não tinha fome. Ao chegarmos em casa lá já estava a Fernanda, a nossa filha, que também me deu a notícia de que eu precisava de internação urgente. Foi então que liguei para o médico e ele confirmou tudo, dizendo que já estava uma equipe me esperando na emergência do Hospital Mãe de Deus. Pela vez primeira e pela palavra do médico, ouvi a confirmação da doença: Leucemia. Coloquei algumas roupas numa sacola de viagem, as minhas coisas de higiene pessoal e rumamos para o hospital. A partir de então o Fábio passou a nos acompanhar. Fomos atendidos na emergência, os meus sinais vitais foram conferidos, preenchemos os papéis para a internação. Quando fui procurar os cartões do convênio dei-me conta que os havia deixado em casa. O Fábio foi buscá-los, mas eu já fiquei na sala de espera, pois estava sendo preparada às pressas uma transfusão de sangue, a primeira de uma longa série que faria nos próximos meses. Só então, com as coisas mais calmas, consegui conversar com a Ana Virginia e ela me alinhou os principais acontecimentos daquele dia, especialmente os telefonemas que recebeu do pessoal do meu apoio no Tribunal e do próprio médico que estavam aflitos para me localizar e novamente repetiu que eu estava gravemente doente. Logo me veio à mente a ideia de que com tal doença não se brinca, recordando, como num filme, o que se passou com o nosso saudoso Juarez, do I Curso da União de Famílias. Decidi naquele momento, mesmo que ainda incipientemente, enfrentar tudo o que se apresentasse como uma grande contribuição ao capital de graças e disse à Ana Virginia, também pela vez primeira, de que naquela feita eu não escolheria médico algum, mas aceitaria o que Deus enviasse, no que ela imediatamente me apoiou. Chamaram-me e entrei na unidade de emergência, onde foi medicado, colheram amostra do meu sangue (AB+) e prepararam a transfusão, tecnicamente um concentrado de hemácias, irradiado e com filtro. Foi então que perguntei ao atendente que preparava o cateter no meu antebraço direito se eu estaria liberado até o dia 14 de outubro, quando estava marcada a sessão de julgamento do 2º Grupo de Câmaras Cíveis do Tribunal de Justiça, que eu presidia, pois tinha processos pautados. O rapaz, cujo nome não fixei, olhou-me e disse: “esqueça disso tudo o seu tempo agora é outro”. Logo me veio à mente o verso 398 do Rumo ao Céu: “Até agora eu mesmo estive ao leme e, no barco da vida, muitas vezes te esqueci; desamparado, para ti me voltei, de vez em quando, para que o barquinho navegasse conforme os meus planos”. Recebi o sangue e me senti melhor. Fui então encaminhado para o leito 158-A onde passei aquela noite. Dormi em seguida, pois estava cansado e o dia havia sido cheio de tantas incidências. Na manhã seguinte, por volta de 7h, conheci a Drª Paula Tabbal Costa, médica hematologista, que havia sido designada para acompanhar o meu caso. Disse rapidamente que eu precisava coletar material para exames mais aprofundados, pois até ali se sabia que a doença era a Leucemia Aguda, mas do tipo celular ainda não identificado. Por isso, seria feita uma punção na minha medula óssea, com a coleta de material para exame do cariótipo e imunofenotipagem, que foi realizada em seguida e o material levado para São Paulo para a análise e resultado. Acrescentou ainda a informação de que receberia um cateter duplo na artéria jugular direita, o que de fato aconteceu logo depois. Naquela manhã, já na companhia da minha esposa e enfermeira permanente, fui transferido para o apartamento nº 821, no 8º andar do Hospital Mãe de Deus. Ela já tinha levado a imagem da Mãe Peregrina que nos acompanha há muito anos, desde a catequese da 1ª Eucaristia que ela ministrou durante muito tempo nas Paróquias do Menino Deus e Santo Antônio Pão dos Pobres; a imagem de nosso Pai e Fundador que tínhamos em casa; e a Cruz da unidade; assim como um porta-retratos com as fotos atualizadas de nossos filhos, seus esposos e nossos dois netos, o Luiz Antônio e a Victoria. Montou rapidamente, usando uma mesa auxiliar, um pequeno santuário hospitalar, que chamou muito a atenção de todos os que acompanharam a minha saga, que apenas começava. Um dos primeiros pensamentos foi de que não poderia mais ir à Igreja todos os dias, assistir a missa e participar da mesa eucarística. Nos últimos anos este costume se incorporou ao meu horário espiritual e iria sentir muita falta. Mas Jesus providenciou: se eu não mais poderia visitá-lo e recebe-lo diariamente, Ele então viria até onde estava. E foi isso que aconteceu, porquanto as ministras extraordinárias da Eucaristia começaram a me visitar e levá-Lo todos os dias. Em seguida, foi instalada uma bomba de infusão, pois naquele mesmo dia começaria a quimioterapia de remissão, com a dispensação de idarrubicina e cetarabina. Foram dias muita expectativa pelo resultado dos exames que em breve revelariam o meu cariótipo e a natureza da leucemia que eu havia contraído. A nossa relação com a médica hematologista foi se estabelecendo e ela começou a conversar mais fluentemente conosco. Disse, por exemplo, que a viagem que fiz a Caxias do Sul no dia 04 de outubro foi de alto risco, porquanto poderia literalmente ter apagado no trajeto. E a subida de serra pela BR 116 é sempre um perigo mesmo para quem está vigilante. A Ana Virginia, com quem estou casado há quarenta anos, era arredia às redes sociais. Mas a minha enfermidade a fez rever a sua disposição e começou a se familiarizar com o WhatsApp, começando a se comunicar primeiro com os filhos, depois com os diversos grupos na União de Famílias, no Santuário Maria Cor Ecclesiae, na Paróquia Menino Deus e no Santuário Santo Antônio Pão dos Pobres. Se a presença da imagem da MTA, do nosso Pai e Fundador e da Cruz da unidade e o porta-retratos davam um ar mais sacro ao lugar, a comunicação instantânea permitiu um efeito inimaginável ao início, pois se formaram correntes de vida que se se explicam pela graça, na chamada resultante criadora. Eu precisava desesperadamente de transfusões de sangue e plaquetas e a campanha começou a tomar vulto. Também a oração pela canonização do Padre Kentenich, o nosso Pai e Fundador, foi a escolhida no nosso VI Curso da União de Famílias e logo se propagou para ou outros Cursos e muito mais além. Ali eu vi um sinal de Deus sobre os dias que se seguiriam, repletos de notícias do engajamento de muitos irmãos e irmãs naquela forte corrente de oração, doação de sangue e plaquetas. No dia 17 de outubro terminei a quimioterapia de remissão, a primeira e mais importante naquela fase, com o esquema 7 + 3 de irrubicina + cetarabina. Estava com as defesas muito comprometidas e os cuidados da equipe médica redobraram, envolvendo toda a minha família e as poucas visitas autorizadas. Uma das quais que se tornou constante durante toda a internação no Hospital Mãe de Deus a do Padre Romeo Maldaner, nosso confessor permanente e quem prestávamos contas há muitos anos. Suas bênçãos, orações constantes e seus cuidados foram fundamentais para a manutenção de meu ânimo elevado e viva a minha esperança. No período foi preciso trocar o cateter central, passando o novo cateter para a artéria jugular esquerda, tendo em vista o surgimento de febre e a suspeita de contaminação. Na madrugada do dia 25OUT tive duas manifestações violentas de bacteremia, com calafrios e tremores que me sacudiram sem controle por vários minutos, numa sensação de desvalimento total. O controle foi pela morfina. Nos meus pensamentos sobre os episódios daquela noite constatei que ali entreguei a Deus e ao Pai e Fundador aquilo que rezava todos os dias desde que fiz o ato da Carta Branca: Recebe, Senhor, pelas mãos de minha Mãe, a doação da minha régia liberdade, recebe a memória os sentidos e a inteligência, recebe tudo em prova de meu amor. Recebe todo o coração e toda a vontade, dá que eu assim sacie o verdadeiro amor. Minha maior felicidade é devolver-te, sem reservas, tudo o que me destes . No dia seguinte outra notícia impactante. A Drª Paula recebeu o resultado do cariótipo e imunofenotipagem e o comunicou primeiramente à minha esposa e minhas filhas e depois deu-me conhecimento de que tinha uma Leucemia Mielomocítica Aguda , com cariótipo normal e com defeito no gene FLT-3 com DIT , o que significava risco intermediário e exigia transplante alogênico de células tronco como única alternativa terapêutica relativamente segura. Como meus pais já eram falecidos, meu único irmão também falecido, restavam poucas alternativas. Eu havia suportado bem a quimioterapia de remissão, mas os últimos acontecimentos me abalaram e fizeram com que tivesse muitas horas de insônia, causadas também pelos medicamentos que vinham nos horários mais estranhos, especialmente os antibióticos que eram necessários para o controle das situações adversas, como a nova infecção que eu apresentava, com suspeita de ser causada pelo cateter central, retirado no dia 28 de outubro. Naquele mesmo dia outra notícia que me abalou muitíssimo. A Drª Paula a comunicou de modo franco, após consultar alguns especialistas que passariam a me acompanhar, como o infectologista e o clínico geral. Eu havia contraído provavelmente uma pneumonia causada por fungos. Havia suspeita de aspergilose . Naquela madrugada passei muitas horas insone, revendo todo o meu passado, desde as lembranças da minha infância, adolescência e vida adulta e rememorando tudo o que havia sucedido nos últimos meses. Disse então a Deus e ao nosso Pai e Fundador, a quem eu me dirigia com muita assiduidade nas minhas orações: Senhor, estou pronto para ir para a tua casa. Jesus, teu Filho amado e nosso Salvador nos disse que haviam muitas moradas na casa do Pai (Jo 14, 2) e eu penso ter cumprido a minha missão. Tenho os filhos todos casados e encaminhados, com formação superior e boas colocações. A Ana Virginia, minha esposa amada e minha companheira nestes momentos de dor e incerteza vai ficar amparada. Estou pronto! Eis-me aqui. Mas também disse: Senhor, se quiseres que eu fique, por faltar alguma coisa que ainda devo realizar, também digo: Estou pronto! Eis-me aqui, com alegria! E rezei: “Dá, Pai, finalmente a conversão total! No Esposo que anunciar ao mundo inteiro: o Pai tem o leme nas mãos, embora eu desconheça o destino e a rota” . Pedi ao nosso Pai e Fundador, a quem havia entregue o futuro dos dois Cursos que estavam sob nossa responsabilidade como formadores, que tomasse conta das famílias e não as deixasse abandonar a nossa União de Famílias se acontecesse o desenlace final. Disse a ele também que me sentia com a consciência tranquila pelo trabalho que havia feito com o nosso Estatuto de União de Famílias e agora na sua regulamentação, coordenando a Comissão do Livro da Vida. Pedi-lhe que cuidasse também desta parte tão importante e fortalecesse os instrumentos que seriam enviados para a minha substituição. Por fim, pedi-lhe que cuidasse da 2ª Equipe da Comissão de Educação da União de Famílias, a nossa querida FORMA, pois deveria seguir seu caminho radioso no futuro da União. No dia seguinte o sinal veio. Pela manhã, depois de receber Jesus sacramentado trazido pelas ministras da Paróquia Menino Deus, para minha surpresa entrou no meu aposento o Padre Jacques Rodrigues, Pároco da Paróquia Menino Deus e manteve um diálogo franco comigo. Disse-me da movimentação espiritual que estava acontecendo na comunidade, falou-me de como a minha moléstia havia mobilizado as pessoas e me ministrou o sacramento da unção dos enfermos. Isso me deu novo ânimo. O Pe. Romeo Maldaner veio à tarde e, sem saber de tudo o que havia acontecido pela manhã, disse-me palavras de alento muito especiais, trazidas diretamente do coração de Deus e transmitidas pelo nosso Pai e Fundador, ele que o conhece pelo Movimento Apostólico de Schoenstatt. Não consigo repeti-las pois fiquei muito emocionado com o que me foi dito por Deus e pelo nosso Pai e Fundador pelas suas especiais causas segundas que me vieram ao encontro naquele dia. Decidi enfrentar todos os desafios literalmente de peito aberto, aproveitando a presença da fisioterapeuta enviada pelos médicos e fazendo os exercícios respiratórios mais exigentes, mesmo sentido dor nos pulmões. Os dias se passaram, os exercícios continuaram e meu estado geral melhorou, sem outros sinais de agravamento. Continuava internado e sem perspectiva de alta, pois deveria ainda receber nova quimioterapia de conservação antes da alta. A remissão que eu havia alcançado pelos primeiros sinais não poderia ser comprometida. A médica dizia que deveria esperar o desenrolar dos acontecimentos, até realizar nova tomografia do tórax e ver o quadro dos meus pulmões. Comecei a tomar o medicamento Vfend® (Voriconazol) em conjunto com todos os outros, para o controle dos fungos. Recebi um cateter periférico provisório no braço direito e assim permaneci por alguns dias recebendo a medicação por ele. O novo cateter central, agora na subclávia direita, foi instalado no dia 30 de outubro. No dia 02NOV aconteceu um fato pitoresco. Era o feriado de finados, vieram os filhos e os netos me visitar e ficaram ao entardecer o Fábio e a Thaise, sua esposa. Fábio e o nosso filho mais jovem e que me acompanhou quase sempre que a Ana Virginia precisou sair para conservar a nossa casa e ver a sua mãe, Candelária da Silva Beal, que mora conosco e tinha 94 anos naquela época. A conversa estava animada e não vimos que uma das janelas, na sua parte de cima, havia ficado aberta. Houve uma revoada de insetos, dentre os quais mosquitos de pequeno tamanho, os conhecidos “borrachudos”, que infestaram o aposento. Foi necessário me remover às pressas, pois usar inseticida estava vetado, ser picado à noite e sem o sistema imunológico apto seria perigoso. A equipe de enfermagem nos auxiliou e saímos carregando as nossas coisas pelo corredor, em direção ao aposento nº 805, onde passei o restante do período de internação. Voltando ao meu caso, o exame de galactomana deu negativo e meu quadro geral melhorava. Fiz nova punção na medula no dia 03 de novembro e repeti o TC do tórax. A punção da medula foi cercada de êxito, tanto pela qualidade do material aspirado, como pelo seu resultado, que indicou remissão completa, com ausência de qualquer sinal das células defeituosas, que a médica chamava de blastos. Contudo, continuava com um quadro de pneumonia muito estranho e indefinido, pois a tomografia computadorizada realizada no mesmo dia havia indicado piora geral. Os antibióticos cessaram havia três dias, não tinha febre, secreções, tosse ou outra manifestação dessa ordem. No entanto, o resultado da tomografia que permitiu o diagnóstico da pneumonia comparado com o resultado da realizada agora indica agravamento. Isso não correspondia ao meu estado geral, com respiração absolutamente normal (ponto de saturação que então estava em 100%). A teoria dos médicos (hematologista, infectologista e clínico) é que o meu sistema imunológico voltou a funcionar ainda de modo incompleto e o que se via na nova tomografia são já os novos leucócitos na sua função de defesa. No dia 04NOV16 no prontuário hospitalar foi anotado o seguinte: “Paciente sente-se bem, sem queixas. BEG, descorado, afebril, eupênico, sv estáveis (...) IFT: sem inunofenótipo aberrante, sem blastos # /TC de tórax com leve piora das lesões. A) Remissão pós indução. Piora radiológica por recuperação imunológica? A melhora no meu quadro geral amainou as preocupações da equipe médica. As visitas começaram a ser admitidas e a corrente de vida então se manifestou de modo presencial. A novena de canonização de nosso Pai e Fundador estava sendo rezada por todos os que nos visitavam. A presença do Santuário hospitalar continuava chamando a atenção de todos e a Mãe Peregrina do XVIII Curso, do qual nos erámos o casal formador, nos acompanhava já há dias, presenciando todos os acontecimentos que se sucederam no período e se mudando conosco para o novo aposento. A Ana Virginia a cada saída recebia sinais claros de uma resultante criadora que não imaginávamos possível. Mesmo quando ia ao restaurante tomar café da manhã vinha com notícias que confirmavam cada vez mais a impressão inicial que haviam acontecido coisas extraordinárias desde a minha internação. Por outro lado, as suas conversas com nosso Pai e Fundador ela me confiava, dando-me ânimo para prosseguir, apesar das incertezas que reinavam. Continuava recebendo Jesus todas as manhãs, num ritual que havia se incorporado à nossa vida. Fui então autorizado a descer até a Capela do Hospital, claro que com todos os cuidados pela baixa imunidade, participando a partir dali da celebração eucarística nas tardes de sábado, retribuindo a visita de Jesus. No dia 09NOV realizei o que denominei na época “tomo-tira-teima” e a imagem apresentou uma melhora evidente, a ponto de não ser mais possível identificar o agente causador, restando apenas lesões sem maior importância. Persistia a suspeita de origem fúngica das lesões que apresentava, mas passou o enfoque do combate para a simples prevenção, no que concerne à medicação. Prossegui tomando o medicamento VFEND®, um poderoso antifungicida, mas já há perspectiva de modificação do tratamento, que persistirá a médio ou longo prazo para prevenir novas infecções. Com a sensível melhora do quadro, foi possível a retomada da quimioterapia de consolidação, tendo as primeiras duas doses de citarabina (3h cada uma) sido administradas na quinta-feira, dia 10NOV16, prolongando-se, considerando os intervalos obrigatórios, até o dia 14NOV, quando foi completado o primeiro ciclo de quimioterapia de consolidação. Após 44 dias de internação, aproximava-se a minha primeira alta hospitalar, mantendo-se o quadro de remissão da Leucemia Mielomonocítica Aguda, com defeito no gene FLT-3. Estava me sentindo muito bem e animado com esta perspectiva, ciente de que o caminho ainda era longo até o transplante de células tronco hematopoéticas, que para o meu caso parece inevitável. De fato, a Drª Paula nunca escondeu que preferia que no meu caso fosse um transplante alogênico, de doador não aparentado, com compatibilidade do HLA bem alta. Dizia então que as minhas duas filhas, por já terem tido a maternidade, estavam descartadas. O meu filho mais jovem tinha uma compatibilidade de no máximo 50%. Por isso, já há algum tempo nos vinha falando da Clínica Pasquini, de Curitiba, como uma referência internacional na pesquisa e realização de transplantes alogênicos. Eu e a Ana repetíamos: “Confio em teu poder e em tua bondade, em ti cofio cegamente em toda situação, Mãe no teu Filho e em tua proteção, e tudo será de acordo com a vontade de Deus”. Com o auxílio da Drª Paula, agendamos uma consulta com a médica transplantadora do Hospital Nossa Senhora das Graças e Instituto Pasquini, a Drª Larissa Medeiros, inicialmente para o dia 24NOV16, em Curitiba. Contudo, pela baixa muito rápida das minhas plaquetas, a médica do Hospital Mãe de Deus vetou a viagem pelo risco de hemorragias. Remarcamos a ida a Curitiba para o dia 30NOV16 e fomos, depois de uma transfusão de sangue e plaquetas, pois a minha hemoglobina havia baixado muito, assim como leucócitos e seus associados. Foi conosco o Fábio, o nosso filho mais jovem, agora com 31 anos, que foi identificado previamente como o doador parental mais compatível. Contudo, houve a clara opção pela médica transplantadora pelo doador não parental, ao argumento de que o Fábio seria só 50% compatível. Recebemos muitas informações, especialmente quanto à estrutura do Hospital e seus equipamentos especiais, a realização de mais de mil transplantes de medula óssea nestes últimos anos, a consequência da quimioterapia radical que eu seria submetido, que me equipararia a um recém-nascido prematuro, que não terá mais as defesas sequer do leite materno, das vacinas tomadas ao longo da vida, dos anticorpos criados para a defesa do organismo durante a minha existência e etc. Além disso, a Drª Larissa enfatizou que nós deveríamos permanecer em Curitiba ao menos cem dias desde o dia do transplante, contando o período de internação (40) dias e a evolução do quadro que aconteceria, o que nos obrigaria a abandonar a nossa casa, a nossa pequena família e tudo o mais, alugando um flat e reorganizando a nossa vida naquela cidade. Voltamos naquela tarde de Curitiba muitíssimo preocupados, angustiados e com incertezas. Repeti mais uma vez o que disse na noite de 25OUT a Deus e ao nosso Pai e Fundador: “Dá-me, Pai, finalmente a conversão total! No Esposo quero anunciar ao mundo inteiro: o Pai tem o leme nas mãos, embora eu desconheça oi destino e a rota” (RC 399). A Ana Virginia, no dia seguinte, foi ao Santuário Tabor Maria Cor Ecclesiae e, diante da estátua de nosso Pai e Fundador, pediu-lhe chorando a graça de não haver o transplante em Curitiba. Veio então a consulta com a Drª Caroline Peliccioli Brum, médica transplantadora do Hospital Dom Vicente Scherer, do complexo da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, realizada no dia 02DEZ16. O quadro então mudou. A médica iniciou por comparar os exames de HLA que foram feitos ao início da minha internação com os exames dos três filhos, concluindo que a compatibilidade com o Fábio não era apenas de 50%, mas sim maior, aproximando-se dos 75%. Explicou que nos últimos anos, a pesquisa médica avançou muito e, hoje, a temida síndrome do enxerto contra hospedeiro, a DESCH, está mais bem controlada, sendo menor com o doador aparentado. Por isso, não via muita vantagem em se procurar um doador nos bancos de sangue do mundo inteiro, procedimento que poderia levar de trinta a noventa dias, quando o doador estava disponível e disposto a fazer a doação. Isso nos encheu de grande alegria, pois todo o procedimento poderia ser realizado em Porto Alegre, claro que com os mesmos cuidados iniciais nos primeiros 40 dias, exatamente como aconteceria em Curitiba, mas com toda a pequena família perto e a grande família constituída pelas comunidades rezando pelo êxito do procedimento. Nosso Pai e Fundador havia atendido mais este pedido da Ana Virginia e meu, por via de consequência. A coleta do sangue para os testes de HLA cruzado foi requisitada pela Drª Caroline, a médica que seria a profissional que realizaria o transplante. O Fábio e eu passamos por uma grande bateria de exames e, se tudo desse certo, então o transplante poderia ser realizado em meados de janeiro de 2017. Com isso, não ia precisar dos novos ciclos de quimioterapia de conservação e manutenção, restringindo-me ao que ia iniciar na 2ª feira, dia 05DEZ16, quando voltei a me internar no Hospital Mãe de Deus para receber o terceiro ciclo. Aqui também uma novidade, pois passaria a utilizar pela primeira vez o Tosilato de Sorafenib (Nexavar®), medicamento da Bayer que controla o desordenado ciclo da produção da proteína FLT-3, dando-me maior tempo para a realização do transplante. O III ciclo da quimioterapia de conservação, à base de citarabina, foi o mais devastador para as minhas taxas de leucócitos, plaquetas e hemoglobina. Fiz transfusões e meus braços estavam praticamente pretos, ao ponto de meu neto Luiz Antônio dizer, como disse à sua avó Ana Virginia, que estava sujo, afora não poder me aproximar dele e da outra neta, a Victoria. A minha alta da internação correspondente ao 3º ciclo da quimioterapia foi no dia 12DEZ16. Ainda recebi naquele dia uma transfusão de concentrado de hemácias irradiadas, tal a deficiência que apresentava. Havia escassez de plaquetas e as minhas estavam muito baixas, mas não consegui mais transfusões até o dia 18DEZ18, quando comemoramos os nossos quarenta anos de matrimônio, com todos os filhos, esposos e netos reunidos em nossa casa. Foi uma grande alegria e eu agradeci muito ao Pe. Kentenich pelo que estava vivendo. Nas vésperas do Natal de 2016 estava no D + 13 após a o III ciclo da químio, com perspectiva da volta da produção da medula antiga na véspera ou no dia 25DEZ, dia do Natal do Senhor. Os exames preliminares que antecederam o TMO foram satisfatórios. Os de sangue porque estava num período que precedeu ao III ciclo de químio, com a medula produzindo e sem a presença dos temidos blastos. Os dos demais órgãos vitais confirmando o que já havia acontecido na internação anterior. Tinha na época consulta agendada com o Dr. Marcelo Capra, integrante da equipe transplantadora do Hospital Dom Vicente Scherer, marcada para o dia 27DEZ, quando então seria confirmada a data provável do TMO, claro que se os exames fossem satisfatórios. A perspectiva então se revelou a melhor possível, pois os exames de HLA cruzado com o meu filho deram negativo e os exames dele foram os melhores possíveis. Iria passar o Natal com minha pequena família, pois continuava sem febre ou qualquer outro sinal que a isso contraindicasse. A consulta do dia 27DEZ16 ainda nos reservou algumas surpresas. Os médicos estavam interessados em se certificar que a remissão que eu havia alcançado era consistente e, por isso, me pediram que realizasse a quinta punção da medula óssea antes da internação no Hospital Dom Vicente Scherer. Liberaram-me para ir passar o final de ano com minha família na nossa casa no litoral de Santa Catarina, mais precisamente em Garopaba. Todos os filhos foram conosco e passaram alguns dias, que para nós foram inesquecíveis. Senti a presença de nosso Pai e Fundador em vários episódios, especialmente na relação com os meus netos e as surpresas que me aprontavam a cada dia. A Ana Virginia foi incansável para que tudo desse certo. Realizei a nova punção da medula óssea em 04JAN17, aos cuidados novamente da Drª Paula Tabbal da Costa. Os resultados saíram em seguida e foram muito positivos, já com a medula produzindo e sem sinais de recidiva. Contudo, eu bem sabia que aquele quadro era instável e poderia se alterar a qualquer momento. Fui chamado no Hospital Dom Vicente Scherer e instruído a me internar no dia 17JAN17, num procedimento cercado pela simplicidade, mas envolto em um mistério que só mais tarde perceberia . Também no TCTH a mão poderosa de Deus se fez presente e a intercessão de nosso Pai e Fundador foi decisiva. Fui internado no apartamento nº 402 do Hospital Dom Vicente Scherer, que integra o complexo da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, num lugar que mais parecia um bunker. Eram duas portas, separadas por um pequeno hall, onde havia pia e armário para a desinfecção. Quanto uma porta abria a outra ficava lacrada. No interior do apartamento a temperatura era estável, controlada externamente, com vidros e janelas blindados, sempre em 18º. Estávamos no forte do verão de 2017. Nos cinco primeiros dias ficou comigo o Fábio, recebendo injeções na região abdominal para produzir células tronco. Foi um período de convivência gratificante com o meu filho mais jovem, agora com trinta e um anos, que o Pe. Kentenich me proporcionou . Depois da quimioterapia mieloablativa, que eliminou a medula, e da radioterapia, que eliminou os linfócitos circulantes no corpo, recebi a infusão das células tronco hematopoéticas, num procedimento cercado de muitos cuidados, no dia 24JAN17, às 14h30. A médica transplantadora e a equipe de enfermagem foram acompanhadas pela MTA peregrina do XVIII Curso que ficou no apartamento todo o tempo ao lado da cama onde recebi as poderosas células tronco de meu filho, colocadas em dois recipientes de 400 ml e que foram injetada na minha corrente sanguínea e formaria a nova medula. Como nossa decisão foi pela TMO com doação parental, sabíamos que os riscos eram mais pronunciados do que a doação autóloga (quando o próprio paciente tem suas células tronco coletadas e enxertadas) ou quando a doação acontece com HLA mais aproximado e não parental. No caso da doação parental, com HLA mais dissonante, o risco de rejeição é um pouco mais alto. Por isso, foram necessárias ainda duas quimioterapias de controle da rejeição, que foram aplicadas nos dias 27 e 28JAN. Depois disso foi esperar a vontade de Deus e a “pega” da nova medula, como diziam os médicos, que começou no D+14 (07FEV17) e o seu resultado, que poderá ser experimentado no D+21 (14FEV), com os hemogramas e a evolução que vão apresentar. A alta do Hospital Dom Vicente Scherer aconteceu em 13FEV17, mas as cautelas em casa seriam mais acerbas, pois a situação em que saí se equipara em termos imunológicos a de um recém-nascido como ouvimos em Curitiba e foi confirmado pelas diversas equipes de profissionais que nos visitaram nos últimos dias da internação. Nos próximos seis meses as consultas médicas seriam frequentes e os hemogramas vão fazer parte da minha vida. Neste período se saberá se os temidos efeitos da síndrome do enxerto contra o hospedeiro vão se manifestar e em que grau. Dizem os médicos que moderados são bem-vindos, pois revelam que a nova medula pegou e está atacando as células defeituosas que ainda sobreviveram. Também o quimerismo será decisivo, indicando qual medula está ativa, se a antiga ou a do doador, caracterizando aí mais indicativo seguro da vontade de Deus na minha vida. A chegada em casa foi marcada por uma forte alergia, que cedeu rapidamente. Foi causada pela queda dos insignificantes fios de cabelos e pelos do corpo e controlada pelo meu incipiente sistema imunológico. Para prevenir a rejeição comecei a tomar a Ciclosporina, medicamento que baixava em muito a minha imunidade e me tornava ainda mais suscetível às mudanças climáticas e as causadas por pelos e outras partículas. No dia 24FEV17 realizei, junto com o Fábio, o exame do quimerismo. Foi no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Lá foi coletado o esfregaço de minha mucosa bucal, que continha ainda os traços do meu DNA, bem como coletado sangue periférico do Fábio e o meu. O resultado ficou disponível no dia 09MAR17, às 17h58. E deu QT (quimerismo total, ou seja, medula 100% do doador). No meu dia D+38 tive a primeira e leve manifestação da DECH (doença do enxerto contra o hospedeiro). Foram algumas irrupções na pele da testa, com prurido, quadro que foi controlado por um creme à base de corticoide. Tudo de acordo com o esperado, segundo a Drª Caroline Brun, a médica transplantadora, com quem tive consulta em 10MAR17, às 8h10. Eram sérios os riscos de nova internação hospitalar. Vou dar um exemplo que é bem explícito: Nos dois primeiros exames de antigenemia para o Citomegalovírus, realizado no Laboratório de Imunologia de Transplantes do HDVS, os resultados foram positivos: no primeiro, com o número de células de + / 2 : 100.000; no segundo, + / 1 : 100.000. Bastou para que a equipe médica determinasse a minha volta ao hospital para a medicação intravenosa por quinze dias. Estava tudo autorizado e começaria o tratamento no sábado, dia 11MAR17. Entretanto, esta não era a vontade de Deus, pela poderosa intercessão de nosso Pai e Fundador, pois o terceiro e último exame, realizado em 09MAR, deu negativo, sendo cancelado às pressas todo o aparato que foi armado. Logo cheguei ao sexto mês de minha vida nova, ou como se dizia no jargão médico-hospitalar, o meu d+180. Este marco foi fixado de acordo com os protocolos médicos há muito estabelecidos e que estão relacionados aos marcadores mais importantes da chamada doença residual, bem como da temida doença do enxerto contra o hospedeiro, que no meu caso, em vista do tipo de transplante realizado (alogênico com doador haploidêntico, ou seja, com compatibilidade de 70%), exigia potente medicação que reduzia os riscos de rejeição e tornava a DESC mais controlada (Ciclosporina). Realizei então o novo quimerismo, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, cujo resultado foi conhecido em 25JUL17, mantendo-se o que os médicos chamam de QT, ou seja, 100% da medula do doador, o meu filho Fábio. Também houve a modificação do meu grupo sanguíneo. Depois de alguma hesitação foi confirmado que eu havia mudado do grupo AB+ para A+, exatamente o do meu filho Fábio. Neste período tive uma consulta que foi muito importante, realizada em 26AGO17, quando fui dispensado do uso da Ciclosporina, o medicamento que baixava a minha imunidade. A dispensa da Ciclosporina decorreu da evolução muito positiva do meu quadro, pois o meu organismo já estava acostumado com o medicamento e suas taxas vinham baixando de modo consistente. Fazendo a ponderação de que o medicamento já representava mais malefícios (em vista o risco que causava das chamadas infecções oportunistas) houve a dispensa. A minha saúde geral apresentou melhora, sendo superada uma teimosa coriza que não queria me deixar, com a indefectível tosse que já durava mais de dois meses. Em vista da possibilidade concreta de volta ao trabalho, foi solicitada pelo Dr. Marcelo Capra a primeira punção da medula óssea depois do TCTH (a quinta depois da doença). Foi enorme a expectativa que cercou a divulgação dos resultados dos diversos exames que foram pedidos pelo médico. Na estação de trabalho que tenho montada no gabinete de casa passei a acompanhar diariamente a divulgação dos resultados pelo www.weinmann.com.br e a certeza da intervenção divina foi se fortalecendo. Atingiu seu ápice na publicidade do exame que indagou sobre a presença da mutação no gene FLT-3 com DIT e afirmação de que a mutação estava ausente na nova medula. Os outros cinco exames, todos muito importantes, indicaram a consolidação do meu quadro, razão por que o médico, ponderando ainda o resultado do hemograma e exames completares realizados em 21SET17, autorizou a minha volta ao trabalho no início do mês de OUT17. Fazendo uma ponderação de tudo, só tenho a agradecer a nosso Pai e Fundador e a MTA pela magnitude da transformação que Deus operou na nossa pequena família e nas comunidades que integramos. Especialmente na União de Famílias de Schoenstatt, que me preparou por muitos anos de estudo, oração e vida para os momentos difíceis que atravessei; portanto, graças à pedagogia e a espiritualidade que o Padre Kentenich preparou com tanto cuidado pelos anos que conduziu a sua Família e que me auxiliou de modo efetivo no enfrentamento da doença e suas graves consequências. Foi uma emoção muito forte voltar ao Santuário Maria Cor Ecclesiae com todos os cuidados de quem esta imunodeprimido, e encontrar nossa Mãe e Rainha e nosso Pai e Fundador naquele lugar santo e agradecer-lhes pessoalmente pelas inúmeras graças que recebi na caminhada junto com minha esposa, filhos, netos e as comunidades que estamos ligados. É no Santuário que sempre encontro nosso Pai e Fundador e cada vez que volto lá rememoro tudo e agradeço por estar vivo e sentir-me um pequeno instrumento na sua Obra. Porto Alegre, 31 de julho de 2018, ano jubilar da volta de nosso Pai e Fundador à casa do Pai.

Nelson Antonio Monteiro Pacheco. VI Curso da União de Famílias de Schoenstatt no Brasil.

NELSON A. M. PACHECO PORTO ALEGRE/RS
TESTEMUNHO DE UMA FILHA DA UNIÃO DE FAMÍLIAS

Ouvir e falar sobre o Pai e Fundador é sempre uma grande alegria para mim, pois ele além de ser o Fundador do Movimento que escolhi participar, é uma personalidade ímpar, caracterizada por um caráter paternal único e uma inteligência sobrenatural que me encantam cada vez mais, me impulsionam a conhecê-lo melhor e a segui-lo com maior fidelidade! Assim como muitas pessoas que se aproximam pela primeira vez com a espiritualidade de Schoenstatt, a Mãe de Deus e o Santuário tocaram primeiramente o meu coração e só aos poucos fui conhecendo o terceiro ponto de contato, tão essencial quanto os outros dois pontos, o Padre José Kentenich. Como alguns dizem, ‘nasci’ dentro do Movimento, pois meus pais pertencem ao III Curso da União de Famílias, participei das Apóstolas Luzentes de Maria desde pequena e estudei o ensino fundamental no Colégio Mãe de Deus. Dessa forma, por meio de muitas vivências, fui tomando contato com o Fundador da Obra de Schoenstatt e entendendo o porquê a figura dele é tão importante e presente no Movimento. Mas, sem dúvidas, foi no ano de 2010 que minha vinculação a ele se tornou ainda mais vital! Na época, estava começando o segundo ano de cursinho em preparação para o vestibular e durante este tempo sempre rezava, diariamente, a oração de canonização do Fundador na intenção de obter uma vaga na universidade no curso de Medicina. Foi quando tive a oportunidade de ir a Schoenstatt participar do Programa de Formação para a Jufem por três meses, juntamente a 8 jovens do Brasil e Argentina. Como estava no cursinho, foi possível passar esse tempo onde tudo começou. Estar em Schoenstatt e desfrutar de cada local sagrado é um privilégio, porém esse tempo foi, sobretudo, marcado pela figura do Pai e Fundador! Para começar morei nesses meses, na casa Schulungsheim, o local em que o Pe. Kentenich viveu seus últimos três anos de vida. Logo na primeira semana, com as demais jovens, participei da inauguração da reforma da rua que leva o nome do Fundador e para isso nos preparamos para desenvolver atividades sobre a vida dele com as crianças na Casa Padre Kentenich. Ao longo da formação, nossas amigas argentinas nos convidaram a preparar-nos para a Aliança Filial com o Fundador e, após alguns encontros, no dia 28 de junho de 2010 selei a minha Aliança Filial com o Pai junto à sua tumba na Igreja da Adoração. Conhecemos e visitamos lugares importantes da vida do Pai: Gymnich, Limburgo e Dachau. Para fechar esse tempo magnífico, nos dias 8 a 10 de julho, vivenciamos as celebrações em torno do centenário da ordenação sacerdotal do Padre Kentenich! Com certeza estar em Schoenstatt foi um presente maravilhoso e, principalmente, um encontro bem pessoal com o nosso Pai! Além de ter alcançado a graça de passar no vestibular neste mesmo ano de 2010! Vale muito a pena rezar a oração de canonização!!! A vinculação ao Pai e Fundador é algo próprio da essência de Schoenstatt! A Ir. M. Petra em sua visita ao Brasil nos confirmou: “Quanto mais conhecemos o Pai, mais podemos compreender sua obra. Quanto mais amamos o Pai e Fundador mais amamos a Família de Schoenstatt. O Pai e a Família são um”. Dessa forma, cada filho de Schoenstatt é chamado a aprofundar o vínculo com o Padre Kentenich e isso pode ser feito de diversas formas, permitindo construir uma relação natural e orgânica. Alguns exemplos são: a leitura de livros e textos escritos por ele, a oração para sua canonização, pedir sua orientação como Pai por meio de conversas e do uso do telefoninho (mensagens), aproveitar oportunidades para conhecer pessoas que conviveram com ele, entre outros. Acredito que, neste ano Jubilar dos 50 anos de morte do Pe. José Kentenich, nós somos chamados a um compromisso pessoal de aprimorar a vinculação com o Pai e Fundador, pois esta é inerente da Cultura da Aliança que queremos gestar desde Schoenstatt aos novos tempos. Queremos partir sempre de mãos dadas e unidos ao nosso Pai!

Suzana Maria Menezes Guariente

Suzana Maria Menezes Guariente Londrina/Paraná