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TESTEMUNHO FAMILIA SANTOLINO

Com alegria queremos testemunhar neste Ano do Pai, jubileu dos 50 anos de morte do nosso Fundador, Pe. José Kentenich, mais uma vez o quanto somos agraciados pela pedagogia schoenstattiana, principalmente pela pedagogia da vinculação.

Nosso amor ao nosso Fundador é um amor de filhos consagrados e nos momentos de tribulação, de “tempestades”, conseguimos permitir que as mãos do Pai nos conduza, na confiança vitoriosa e na certeza de que “Deus é Pai, Deus é bom e bom é tudo o que Ele faz”.

No último dia 05 de outubro, levamos nosso filho para São Paulo e na volta, começou a chuviscar, a pista ficou escorregadia, perdemos o controle do carro, derrapamos e capotamos em segundos. Logo os motoristas dos carros foram chegando para ajudar e um senhor negro e forte, que se apresentou como bombeiro, nos deu as primeiras orientações ainda quando estávamos dentro do carro e ficou conosco até a chegada dos socorristas. Dia 05 de outubro é dia de São Benedito, então vimos nesse senhor um sinal de que esse santo também intercedeu por nós naquele momento.

Tudo foi sendo encaminhado com calma, fomos atendidos na cidade de Mairiporã e o carro foi encaminhado para posto policial de Atibaia, tendo perda total. Nossos ferimentos foram leves para o acontecido, não perdemos a consciência, não nos desesperamos, conseguimos conversar com nossos parentes para avisar que estava tudo bem.

Enfim, chegamos à conclusão que a serenidade, a calma diante dessas situações, só poderia ser do que vivemos sempre em Schoenstatt: a vinculação à Mãe de Deus, ao Pai Fundador e ao Santuário (em especial ao nosso Santuário-lar da Divina Providência).

Alexandre e Andreia Santolino – XIV curso/SP

Alexandre e Andreia Santolino – XIV curso/SP ARARAQUARA/SP
TESTEMUNHO SOBRE ATUAÇÃO DO P. JOSÉ KENTENICH

Vivido por Ochalides e Nair Lodi, relatado por Nair.

Este testemunho é um dos pontos altos de nossa vida. Nos expõe, sim, expõe nosso filho mais novo, mas expõe também a imensa ajuda que tivemos da interferência direta do alto, de que a fé não é brincadeira ou mera ilusão.

Nosso filho Mario Gil iniciou-se na dependência química em 1984 aos 12 anos, À época, não havia meios de tratamento a nosso dispor, nem se podia abrir o problema para fora de casa, porque a discriminação era muito grande. Procuramos vários psicólogos e até um psiquiatra que imediatamente providenciou na baixa dele à Clínica Pinel em Porto Alegre. Na 2ª semana tiramo-lo de lá, pois vimos que de tratamento não havia nada, ao contrário, ele estava muito pior. Os profissionais diziam as coisas mais absurdas sobre o estado dele, até que um ou dois anos depois, vimos o anúncio de que o Pe. Haroldo Hamm de São Paulo iria dar um dia de curso em Viamão sobre “Amor Exigente”, que tratava da dependência química. Acendeu-se uma luz. Tudo o que ele falou fazia sentido, e a partir daquele encontro, algumas pessoas de boa vontade se uniram para dar início ao Amor Exigente em Porto Alegre e até construíram um Fazenda, administrada por militares. Começamos a participar das reuniões e algum tempo depois, conseguimos que o filho nos acompanhasse.

Passamos a entende-lo, mas a situação piorava cada vez mais. Aprendemos que era doença genética, detectamos sua origem, mas nada melhorava nosso filho. A desconfiança espalhou-se por todos os cantos da casa, as coisas sumiam, as mentiras se multiplicavam, a gente parecia que estava ficando louca. Não acreditávamos mais nem em nós mesmos. Eu, hipersensível, era choro só. Chorava da manhã à noite e de noite.

Meu marido trabalhava  o dia todo foro e não percebia tudo que estava se passando, enquanto eu fazia a besteira de tentar poupá-lo.                            

Tínhamos uma filha casada no Ceará e o casal continuamente nos convidava para vir morar com eles. Éramos candidatos ao 1º curso da União. Conversamos com o Pe.  Ottomar e ele, que conhecia bem a situação, nos disse que não poderíamos exercer nenhum apostolado naquelas condições. Fizemos a Consagração Perpétua, rezamos e meditamos muito, até que ele fez o nosso envio para cá, onde, de início, começamos nossa missão. Antes de sair, pedi à Mãe que não permitisse que ele morresse, sem ter se convertido e sem estar em perfeita pureza.

Deixamos tudo, nossa casa montada, santuário-lar, carro, tudo aos cuidados do filho mais velho, para também dar um mínimo de suporte a ele e para que não dilapidasse o patrimônio. Viemos, mas antes tomamos o cuidado de deixar um valor aos cuidados de minha mãe, com o trato de que ela daria um tanto por semana, o suficiente para ele se manter, sempre às segundas-feiras, porque se fosse antes ele consumiria no final de semana. O trato incluía que ele teria que ir buscar o dinheiro na casa de minha mãe E ALMOÇAR COM ELA. E ela só entregaria o dinheiro se ele estivesse com aparência normal, o que evitaria que se excedesse no domingo.

Assim foi por dois meses. A esse tempo, fui visitá-lo, ver como estava a situação. Ele estava muito pior do que quando o deixamos. Era só pele e ossos e uma palidez assustadora. Mesmo assim (não sei de onde tirava forças), foi me buscar no aeroporto.

Assim que entrei no carro, ele vociferou: “Mãe, eu quero ir para Fortaleza com vocês”!

Eu falei com amabilidade que o objetivo era esse, mas eu tinha um recado do seu pai e só ia dá-lo em casa, no Santuário-lar. Não trocou mais uma palavra comigo.                                                                                                                                                                                                                        

Ao chegarmos em casa, foi imediatamente sentar no Santuário-lar e despejou: “E aí, qual é o recado? ” Eu sentei calmamente no genuflexório de frente para ele e disse: “Teu pai mandou te dizer que podes ir para Fortaleza na hora em que quiseres, mas antes tens que fazer os 9 meses de tratamento na Fazenda do Sr. Jesus em Viamão. E não é só ir para a Fazenda: é completar o tratamento. ” A indignação dele ficou incontrolável: isso era traição, manipulação, deslealdade nossa, estávamos forjando uma situação que sabíamos que ele não iria fazer, etc...                                                                          

Deixei-o lá e fui fazer um café. Não quis tomar. E saiu. À noite, rezei, entrei no meu quarto e chaveei a porta.

Pelas 03h00 ou 04h00 ele chegou chutando tudo. Bateu no meu quarto parecendo que ia pôr a porta abaixo e me chamando aos berros.

Eu ajoelhei-me e implorei a ajuda e assistência do Pai Fundador. Não sabia o que me esperava, mas sabia que era muito forte. Falei ao P. Kentenich que PELO AMOR QUE ELE SEMPRE TEVE POR NOSSA SENHORA, PELA DEDICAÇÃO E CONFIANÇA QUE SEMPRE DEPOSITOU NELA, nos protegesse.

Após mais algumas investidas na porta, abri-a calmamente e o que vi foi assustador.

Ele não era ele, era um animal todo peludo, orelhas pontudas e peludas, as mãos pareciam garras e parecia ter uma força descomunal. Intimamente comecei a fazer exorcismo e dizer “Saia do meu filho, ele não te pertence, nunca será teu. Vai para o fundo do mar ou para o lugar de onde vieste. Ele é propriedade da Mãe de Deus. Afasta-te daqui esse lugar é santo”. Ao mesmo tempo pedia: ” P. Kentenich, nos ajude, A Mãezinha te atende em tudo o que pedes, pede a Ela que devolva o meu filho que também é dela, pelo teu amor a Ela, por tua dedicação, por tua santidade, pela Família que constituíste para Ela, ME ATENDE, PADRE KENTENICH! Dá-me forças, dá-me coragem, dá-me paciência, que eu não levante a voz, mas possa vencer pelos teus méritos”!

Foi uma guerra espiritual, mas eu percebi que o poder do P. Kentenich estava atuando quando me dei conta que meu filho já estava recuperando seus traços normais, os pelos diminuindo, as orelhas ficando normais. Então minha coragem e ousadia ficava cada vez mais atrevida no bom sentido e todo o meu ser clamava: “ATENDE, P. KENTENICH! Não deixe o inimigo de Deus vencer! Vem em nosso socorro! Vem! Vem! Vem P. Kentenich, o amor que dedicaste à nossa Mãe é incontestável, em nada se compara a esse momento”!

E ele sempre me enfrentando, me agredindo com palavras e gestos, mas em nenhum momento me agrediu fisicamente, porque quando tentava fazer isso, meu espírito gritava mais forte: “SOCORRO, PADRE KENTENICH, NÃO PERMITA”!

Isso foi até 07h00 da manhã. Ele já era ele mesmo, o meu filho querido, sofrido, exaurido.

Foi então que tive a feliz inspiração: abracei-o e disse: meu filho, estás muito cansado, vamos descansar um pouco   depois a gente continua essa conversa até nos entendermos. Levei-o ao quarto que ficava em frente e no mesmo instante ele começou a dormir.

Rezei, agradeci, fiz o café e almoço, coloquei todo o enxoval dele no porta-malas do carro. Chamei-o para almoçar, tomou um banho, almoçou e o convidei: -Vamos?

Ele não disse uma palavra, entrou no carro e fomos até a triagem da Fazenda, onde ele ficou. Cumpriu o tratamento, veio morar conosco, recaiu algumas vezes, mas sempre o reinternamos, até o momento em que ele conseguiu fazer um curso sobre dependência química com o Dr. Ronaldo Laranjeira em São Paulo e voltou capacitado tanto a abrir uma clínica para tratamento de dependentes ou familiares, como para ter sua própria casa de recuperação. Preferiu a casa. Nos empenhamos e conseguimos dar um sítio a ele, onde mostrou-se exímio administrador, conselheiro, evangelizador por 2 anos. Após esse tempo, foi assassinado por engano, mas estava convertido, e há 7 meses estava na mais perfeita pureza.

OBRIGADA, Padre Kentenich, por tua paternidade. Teu auxílio foi fundamental naquela ocasião e continua a ser para os que a ti se confiam. Breve queremos chamá-lo SÃO JOSÉ KENTENICH.

 

 

Testemunho sobre a atuação do P. José KENTENICH

Em homenagem aos 50 anos de sua Páscoa.

 

 

Nair Lodi

 

Nair Lodi FORTELEZA/ CE
Testemunho Giciane Ferret Copello

Bom, para iniciar esse pequeno testemunho, tenho que primeiramente confessar que relutei muito antes de escreve-lo. Para mim é muito difícil colocar no papel a relação que tenho com o Pai Fundador. Certas coisas fazem parte da nossa vida de tal maneira que sempre que tentamos torna-las concretas para as outras pessoas, falhamos. Mas as circunstâncias me levam a escrever mesmo sabendo que o resultado ficará muito aquém do que eu gostaria. O meu ingresso no movimento foi na data de 25 de março de 2001 em um encontrão realizado pela JUFEM. Eu já conhecia o Santuário e consequentemente a Mãe e Rainha, mas somente participando na JUFEM que tomei conhecimento do Pai Fundador. Aos poucos fui conhecendo o Pe.Kentenich , principalmente através dos livros. Sua pedagogia, a aliança de amor e a riqueza do fundador abriu um mundo novo para mim. O que mais me encantou foi a sua paternidade: através dele, da sua vida, dos testemunhos consegui chegar verdadeiramente a realidade de Deus-Pai. Foi através do Pe.Kentenich que contemplei Deus-Pai misericórdia. Claro, a minha inteligência sabia que Deus é um Pai rico em misericórdia que nos ama sem limites, mas foi o Pai Fundador, foi no seu coração que eu vivi e senti essa realidade. A família de Schoenstatt espera muito a canonização do Pe.Kentenich para que a Aliança de Amor e toda essa grandeza da sua obra seja conhecida por mais e mais pessoas. Eu, particularmente, rezo para que o Pe.Kentenich seja canonizado porque nesse mundo tão sedento de verdadeiras paternidades cada vez mais pessoas encontrem nele o que eu encontrei : um reflexo de Deus-Pai e que como eu , ele possa conduzir a todos ao coração da mãe e de seu filho Jesus. Por fim, não tenho como agradecer as inúmeras graças que o Pai Fundador intercedeu por mim. Foram tantas que as vezes me sinto como aquelas crianças bem pequeninas que puxam o casaco do Pai pedindo guloseimas e brinquedos se parar. Muitas vezes percebo que ele ergue essa pequena filha do chão , a acolhe em seu colo, me consola e me educa carinhosamente. 

Giciane Ferret Copello XVIII Curso da União – Região Sul.

Giciane Ferret Copello Região Sul
“Os passos do Pai geram vida aonde ele vai!”

“Os passos do Pai geram vida aonde ele vai!” Conheço o Santuário, a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt e o Pai e Fundador desde os meus seis anos de idade.

Em 1969 meus pais iniciaram no Movimento de Schoenstatt, na Liga das Famílias e, com muita sabedoria, carregaram consigo seus filhos Afonso, Maria Clara, Valéria e eu.

Neste dia 15 de setembro, dia em que celebramos 50 anos da partida de nosso Pai e Fundador para o Schoenstatt celeste, faz quatro meses que meu pai natural, Geraldo Dutra, foi estar também na companhia de Deus.

Não poderia começar este testemunho de minha experiência com o Pai e Fundador sem falar da minha primeira experiência de paternidade, sem falar do meu paizinho!

Meu pai representa para mim tudo o se pode esperar de um pai. Porto seguro, acolhimento, orientação, limite, autoridade moral, liberdade, respeito e amor, muito amor.

Meu pai me fazia sentir sob o olhar e cuidado de Deus porque eu sabia que, por sua vida orante, a cada momento, ele me apresentava a Deus, junto com meus irmãos e minha mãe. Sua sabedoria proporcionou à nossa família a experiência do Santuário-Lar. Maria passou a fazer parte da nossa vida, de todas as experiências de nossa família de modo muito concreto, pois suplicávamos que Ela atuasse como atuou em “Caná”! Éramos seis como as seis talhas de água que Jesus transformou em vinho.

Assim cresci e trago em minha memória afetiva a presença da Mãe em minha casa tendo nos braços este Cristo que tudo providencia na medida exata do que precisamos. Cresci ouvindo os ensinamentos de nosso Pai e Fundador que, com o tempo, passou a ocupar também o papel de educador em minha vida.

Nunca tive dificuldade em acolher os ensinamentos de nosso Pai e Fundador porque eles me foram dados por meu pai a quem sempre confiei e amei. Na confiança de que estava segura, segui conhecendo cada vez mais este novo pai. E a cada aprendizado, a cada nova mensagem me certificava desta escolha.

Ensinar e formar é a minha maior vocação por missão e profissão. Tenho certeza que sou fruto da influência dos meus dois pais! Estudei outros pedagogos e inúmeras propostas de metodologias e filosofias de educação, mas nunca encontrei nada que já não tivesse aprendido com eles.

Ainda jovem vivenciei que “os passos do pai geram vida aonde ele vai”. E hoje posso contemplar muitos frutos, muita vida!!

Um destes frutos é a comunidade que escolhi me consagrar junto com meu amado esposo Gines, a União de Famílias. Nela me encontro todo dia com o Pai e a todo momento com a Mãe.

Ser União me exige muito e justamente por isso me aproxima de Deus, me faz entender o verdadeiro sentido da oferta de Cristo.

Esta comunidade tornou-se minha cruz e minha alegria. Ser da União não tem outro significado que não seja dizer “A União sou eu”.

Vivi e sei que viverei muitas provas por ter abraçado esta vocação, mas o Pai me dá todas as respostas que procuro. Me educa, me faz avançar, me faz recuar. Não tenho medo de confiar no que me diz. Confio sempre.

Sei que é o meu pai e quer o melhor para mim através de seus ensinamentos da mesma forma que meu paizinho o fez.

Meu paizinho e meu Pai, o sacerdote José Kentenich me conduzem e me permitem crescer na confiança filial e vitoriosa em Deus!

Esta é a herança que escolhi pra mim! A confiança! Eu confio que sou uma filha amada de Deus através de meus pais e tenho certeza que no céu continuam me educando e olhando por mim.

Bernardete Ponce – III Curso Londrina/Paraná
Um Encontro que me transformou

Nossa história em Schoenstatt precisa ser contada desde o início. Era o ano 2000, quando fomos convidados (em abril) para atuar em uma vivência, onde aconteceria a celebração dos 50 anos da Campanha da Mãe Peregrina. Recebíamos em casa a sua imagem, mas, não tínhamos nenhum conhecimento além disso.

Nessa vivência teatral, fui convidado para representar João Luiz Pozzobon e me perguntei: quem é esse homem? Então, os coordenadores da Campanha, em Jundiaí, com muita boa vontade, me deram o livro (140.000 km a caminho com a Virgem) e tiveram muita paciência em me ajudar. Li o livro e fomos conhecer o Santuário de Atibaia, porque, imagina participar dessa festa sem conhecer o Santuário da Mãe Rainha?

A referida vivência aconteceu (em Outubro) no final da Missa de Coroação, realizada no Ginásio de Esportes de Jundiaí, diante de 8.000 pessoas e também diante do Bispo Dom Amauri Castanho (hoje já falecido), que a partir de então, quando me encontrava, me chamava de Pozzobon (eu dizia a ele que não era digno não). Na semana seguinte a esta linda Festa, eu e Márcia fomos convidados pela Irmãs Magna e Celci, para sermos o casal Coordenador Diocesano da Campanha, na Diocese de Jundiaí, sem nunca termos sido nem sequer Zeladores (hoje são chamados de Missionários). Foram 8 anos à frente deste maravilhoso trabalho, a partir do qual, fomos convidados para a União de Famílias.

Essa foi a nossa experiência inicial com Schoenstatt, com João Pozzobon, mas, faltava ainda o Fundador.

Em 2003, em função de nossa atividade profissional, tivemos a oportunidade de expor, em uma Feira de Alimentos internacional, em Colônia, na Alemanha. Quando vimos a proximidade de Vallendar, onde fica Schoenstatt (cerca de 109 km), sentimos que era o momento de conhecer Schoenstatt. Tínhamos, então, muito pouco tempo de participação no Movimento, como falamos. Ficamos três dias lá e com muita neve, pois era janeiro, mas mesmo assim pudemos fazer um “curso intensivo” sobre o mistério de Schoenstatt, conduzidos pela Irmã que nos atendeu maravilhosamente bem.

Depois disso, por anos seguidos, sempre em janeiro, participamos da Feira e aproveitávamos para passar alguns dias em Schoenstatt, agora já com as nossas filhas Gabriela e Giovanna, que passaram a nos acompanhar.

Quando iniciamos nossa caminhada na União, no ano 2004, já tínhamos, portanto, algum conhecimento, tanto de Schoenstatt, quanto de João Pozzobon e uma rica experiência com nosso Pai Fundador.

Como disse, até hoje, pudemos ir muitas vezes para Schoenstatt. Somente nos últimos três anos, fomos quatro vezes: duas por conta da emissão de nossa cidadania italiana e as outras duas por conta de um Encontro de famílias brasileiras, que moram na Alemanha e países vizinhos, famílias estas que são cuidadas pela Irmã Isabel e pelo Padre Antonio Bracht (tem sido uma experiência fascinante). Portanto, nossa experiência com o Fundador foi mais em Schoenstatt do que por meio dos livros (embora também temos lido inúmeros livros em nossa formação unionista). Tivemos assim muitos contatos com os locais sagrados e foram muitos momentos diante de seu túmulo, na Igreja da Adoração. É um dos locais, juntamente com o Santuário Original, onde passamos horas. O que vivenciamos é justamente no ponto em que ele é mais conhecido por todos: sua paternidade. Pudemos entender porque ele é chamado de Pai e Fundador. Poderia ser somente Fundador, que seria um título muito grande diante de sua Obra, mas ele tem ainda o privilégio de ser chamado de Pai.

Confesso que não foi fácil inicialmente pensar nele como Pai, principalmente quando se teve um pai santo aqui na terra, quando se teve um pai que nada deixou que faltasse aos seus sete filhos, em todos os sentidos e teve uma vida matrimonial feliz e harmoniosa. Dá a impressão que estava trocando de Pai.

Foram então muitos anos, sem entender a aplicação da palavra Pai em minha vida. Respeito e amor para com ele como Fundador e como Santo, não tem nem o que falar e eu tinha uma perfeita compreensão disso. Faltava, como disse, o pleno entendimento da Palavra PAI.

Passaram-se muitos anos, até que chegamos ao II Encontro Territorial da União de Famílias, em Santa Maria no ano 2013. A Região São Paulo ficou encarregada da Missa de encerramento e, dentro dela, deveria acontecer uma vivencia com nosso Pai e Fundador, com um personagem revestido como ele. E advinha quem foi o escolhido para representa-lo? Eu! Se já, nunca me pareci com João Pozzobon, imagine com o Padre Kentenich!? Nada a ver.

Mas, missão é missão! E pensei: o Pai quer me falar algo. Emprestei, de um Padre amigo, uma vestimenta muito parecida com a dele, arrumamos um chapéu muito parecido com o que ele usava, uma maleta muito igual também, uma barba branca e fomos lá. No final da Missa, entrei como o Padre Kentenich e, atrás de mim, um manto azul cobria toda a assembleia. Na medida em que andava no corredor central, o manto azul de Nossa Senhora cobria a todos, de ponta a ponta. Foi de arrepiar. Lá no altar, estava a Peregrina Nacional e, quando a levantei, nem precisei falar o que mais ecoou durante todo o nosso Encontro Territorial: Ecce Mater tua!

Depois dessa vivência, comecei a entender o sentido da palavra PAI na vida do Movimento e em minha vida pessoal. Ele quer nos gerar espiritualmente na força da Aliança de Amor e dizer como Cristo: “Ecce Mater tua” (Eis aí tua Mãe). Ele nos educa, ele nos orienta e não deseja, jamais, centrar-se em si mesmo, mas quer nos encaminhar aos cuidados dela. Ecce Mater tua! Ele deseja que a tenhamos como Mãe, ele faz como fez Cristo na cruz: nos entregar a Mãe: Ecce Mater tua!

Hoje, procuro viver essa filialidade no dia a dia, nas pequenas e grandes coisas. Ser schoenstattiano é viver a sua missão, é levar ao mundo a nossa cultura da aliança, impregnar todos os ambientes com sua pedagogia. É muito difícil, não tenho dúvida nenhuma! Pois, parece que a cada metro andado para frente, voltamos alguns passos para trás. Uma coisa é clara: temos um Pai espiritual muito presente. Um Pai que está disposto a nos educar, a cuidar de cada um de nós, de um modo muito particular, do mais íntimo de nosso ser. E sinto uma coisa no fundo de meu coração: só consigo entender e comungar com o seu pensamento, na medida em que caminho como seu filho, na trilha da sua santidade. Posso até entender tudo intelectualmente, mas ficará apenas na mente, na inteligência e não impregnará o meu coração. Por isso, a cada dia, penso nos detalhes de sua vida e como ele agiria nas várias circunstancias que me afligem: tudo fica mais claro.

Nesses dias, diante de uma dificuldade, recorri a ele, pensando exatamente no que fazer e como fazer. Daí me veio a imagem dele falando para a Irmã Petra: “Vá ao Santuário, pergunte para a Mãe e veja o que ela deseja. ” Ela foi, mas voltou rápido. Ele, então, pergunta: O que a Mãe disse? A Irmã respondeu: “Ela não disse nada. ” O Pai: “Então, volta lá e fica até a Mãe dizer o que deseja. ” A Irmã, contrariada, voltou e ficou um bom tempo. Quando voltou ao Padre Kentenich, ele fez a mesma pergunta e a Irmã respondeu: “Sim, a Mãe falou comigo e sei exatamente o que fazer.

” Fiz exatamente o que ele recomendou e fui, então, até o nosso Santuário do trabalho e tive clareza do que fazer. “Ecce Mater tua”.

Esta é uma pratica que devemos constantemente exercitar. Aliás pode acontecer grandes experiências com ele ou sermos repletos de pequenos acontecimentos no dia a dia. Talvez seja esta a melhor experiência: tê-lo por perto a todo momento. Outra coisa é construirmos uma relação com ele, como Pai, Fundador e Santo, não na dinâmica que pedimos, pedimos, pedimos, mas sim criar uma relação de duas vias: o que posso ofertar a ele? Como posso ser filho? Como posso ser portador de sua herança? É o que sempre me vem à mente, o que sinto no coração.

Admiro profundamente aqueles que o tem como Pai, sem o conhecer pessoalmente, sem conhecer seus lugares sagrados. Como diz uma música dedicada a ele: “alguns viram, outros não, não importa. Somos Tabor de uma mesma família”.

Obrigado Padre José Kentenich, por ser mais do que o nosso Fundador. Obrigado por ser nosso Pai.

Quero, como disse um dia o Sr João Pozzobon: “ser um aluninho seu”. Ou melhor dizendo: quero mesmo é ser filho seu! Cuida de mim e me conduza a Mãe de Deus, sempre! Quero ser filho dessa Mãe, a Mãe do próprio Deus!

Romulo Romanato – XIII Curso/ SP.

ROMULO ROMANATO JUNDIAI/SP