13 de agosto de 2017

AMORIS LAETITIA - A ALEGRIA DO AM

A CNBB nos orienta neste ano, a uma reflexão para a Semana da Família de 2017 em sintonia com o impu
AMORIS LAETITIA  - A   ALEGRIA   DO   AM

A CNBB nos orienta neste ano, a uma reflexão para a Semana da Família de 2017 em sintonia com o impulso da Igreja no Brasil para que seja percebida a importância das ações dos cristãos leigos e leigas na sociedade. Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), propõe encontros na Semana Nacional da Família, com Leitura Orante da Palavra e celebrações em família. “Desejamos que, ao refletir sobre os temas propostos, nossas famílias cresçam na harmonia e na disposição de servir melhor a Deus sendo realmente uma luz para a sociedade” (CNBB)  
            Entre os documentos da Igreja dos quais os trechos foram extraídos, estão as exortações apostólicas Amoris Laetitia – sobre o amor na família, do papa Francisco, e Familiaris Consortio, de São João Paulo II; o Documento de Aparecida; o Catecismo; e o Documento 105 da CNBB “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – sal da terra e luz do mundo”.

            Outra novidade sugerida pela CNBB e a o Hora da Família que apresenta uma sugestão de Leitura Orante com o tema “Valor e virtude do amor”, a partir do texto bíblico contido em I Coríntios, capítulo 13. A Consagração à Sagrada Família, ao final da celebração da Sagrada Família, que deve ser feita no dia 31 de dezembro. Para este momento, as famílias poderão utilizar o encarte com a imagem da Sagrada Família para consagração da casa como compromisso de fé, amor e missão.

            Os encontros para a Semana Nacional da Família são compostos de orações, momentos de escuta da Palavra de Deus e de partilha. Em cada um destes, a reflexão da temática é direcionada a partir de textos bíblicos, de trechos de documentos do Magistério da Igreja e de pequenas histórias.

            Hoje, a pastoral familiar deve ser fundamentalmente missionária, em saída, por aproximação, em vez de se reduzir a ser uma fábrica de cursos a que poucos assistem” (AL, 230). Por isso, as equipes e grupos podem promover e incentivar programas de visitação às famílias na comunidade com bênção nas casas e entrega de orações. Por que não perguntar às pessoas que estão afastadas da Igreja se elas têm o interesse em receber algum encontro da Hora da Família?

            Ser uma luz para a vida em sociedade é oferecer às famílias que passam por dificuldades mais duras a possibilidade de enfrentar e até se ver livre da condição de pobreza. No contexto da Semana Nacional da Família, as comunidades poderão promover ações caritativas em favor das famílias carentes como gesto concreto dos encontros.

      Muitos temas foram sugeridos para cada encontro mas se fomos enfatizar a Exortação Apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia, devemos levar em conta o estudo desta exortação para que mais pessoas possam conhecer as orientações importantes do Papa. Em todo o mundo tem repercutido de maneira forte a aplicação destas indicações para nossas famílias.

            No primeiro encontro, “O olhar fixo em Jesus: A vocação da Família” somos convidados como família a termos um olhar fixo em Jesus, descobrindo o valor de se viver a vocação familiar e, ao mesmo tempo, ressoar como eixo de nossas vidas nosso encontro pessoal com Jesus Cristo.. A família possui um valor inestimável e que muitas vezes não tem sido compreen­dido, e isso é consequência de uma socie­dade que tem pregado o matrimônio e a família como ultrapassados.        Sendo assim, é necessário apresentar razões e motivos para que haja compreensão e busca gene­rosa pelo matrimônio e pela família, por­que é na família onde se desenvolvem nos seres humanos os seus relacionamentos mais significativos e especiais.

            São Paulo, em sua carta aos Coríntios, apresenta o matrimônio como “um dom do Senhor”. Desta maneira, o Papa Fran­cisco acentua que Deus faz um chamado e o casal responde com amor e sincerida­de. Havendo o desejo de união, o casal irá formar uma família, ao qual competirá grande responsabilidade, visto que marido e mulher têm a obrigação de cuidar desse dom, fazendo com que o matrimônio seja acolhido, amado e honrado.

            A Alegria do amor que se vive nas famí­lias é também o júbilo da Igreja. “Com íntima alegria e profunda conso­lação, a Igreja olha para as famílias que permanecem fiéis aos ensinamentos do Evangelho, agradecendo-lhes pelo teste­munho que dão e encorajando-as. Com efeito, graças a elas, torna-se credível a beleza do matrimônio indissolúvel e fiel para sempre. Na família, ‘como em uma igreja doméstica’ (LG, n.11).   

             Neste encontro nossa Leitura orante poderá ser o Salmo 128

No segundo encontro, “O amor no matrimonio” é o apelo mais forte de todo Evangelho e dos ensinamentos de Jesus: o amor, de onde brota a vivência e a experiência da caridade no matrimônio. É decisivo para o relacionamento familiar o acatamento do amor. Só nesta força o matrimônio cristão subsiste.

            Não podemos falar de amor sem fa­larmos da paciência, pois como escreveu São Paulo na primeira carta aos Coríntios: “o amor é paciente, é benfazejo; não é in­vejoso”. Uma pessoa mostra-se paciente quando não se deixa levar pelos impulsos interiores e evita agredir.

             A paciência é uma qualidade do DEUS da Aliança, que convida a imitá-lo também na vida familiar. Ao mesmo tempo em que se louva a moderação de DEUS para dar tempo ao arrependimento, insiste-se no seu poder que se manifesta quando atua com misericórdia.

             Amar é também tornar-se amável. Sig­nifica que o amor não age de forma rudi­mentar, não atua de forma inconvenien­te, não se mostra duro no trato. Se não cultivarmos a paciência, sempre acharemos desculpas para responder com ira, acabando por nos tornarmos pessoas que não sabem conviver, antissociais, inca­pazes de dominar os impulsos, e a família torna-se um campo de batalha. O amor possui sempre um sentido de profunda compaixão, que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, mesmo quando age diferente do que eu desejaria.

            A Leitura orante - 1 Cor 13, 1-13

O terceiro encontro “Reforçar a Educação dos filhos” é a educação cristã dos filhos. Não podemos ter medo de apresentar a eles a pessoa de Jesus, seu Evangelho e mesmo a doutrina cristã.   A edu­cação é o melhor patrimônio que podemos deixar para nossos filhos, além da garantia para se viver bem e em harmonia. Para isso devemos inspirar nas palavras de São João Paulo II: “O nosso Deus, no seu mistério mais íntimo, não é solidão, mas uma família, dado que tem em Si mesmo paterni­dade, filiação e a essência da família, que é o amor. Esse amor, na família divina, é o Espíri­to Santo”.

            As famílias de hoje enfrentam grandes desafios, desde o fenômeno migratório à negação do corpo como dom de Deus (‘ide­ologia de gênero’); da cultura do provisório e superficial ao fechamento à procriação ou suas intervenções não naturais; da falta de habitação e de trabalho à pornografia e ao abuso de menores; da atenção às pessoas com deficiência ao respeito pelos idosos; da mudança das configurações familiares à violência para com as mulheres. O Papa Francisco nos lembra a importância da fa­mília na educação dos filhos com o objetivo de superar os desafios:

“A família não pode renunciar a ser lugar de apoio, acompanhamento, guia, embora tenha de reinventar os seus mé­todos e encontrar novos recursos. (...) Os pais devem orientar e alertar as crianças e os adolescentes para saberem enfren­tar situações onde possa haver risco, por exemplo, de agressões, abuso ou consu­mo de droga” (AL 260).

            Os pais devem estar sempre atentos e, nos momentos que estão juntos, devem fa­lar com simplicidade e carinho, orientando seus filhos para situações de riscos como agressões, abusos ou consumo de drogas. A vigilância e a proteção são sempre sau­dáveis. Os filhos precisam ter confiança em seus pais, precisam saber que são respeita­dos e amados, pois disso dependem seus desenvolvimentos afetivo e ético. Quando um filho deixa de sentir que é precioso para seus pais, são criadas feridas profun­das que causam muitas dificuldades no seu amadurecimento.

             A família é a primeira escola dos valores humanos, onde se aprende o bom uso da liberdade. É importante orientar a criança, com firmeza, para que peça perdão e repa­re o mal causado aos outros. Assim, um dia, o filho reconhecerá, com gratidão, que foi bom para ele crescer em uma família. A família deve continuar a ser lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo.

“O desenvolvimento afetivo e ético duma pessoa requer uma experiência fundamental: crer que os próprios pais são dignos de confiança. Isto constitui uma responsabilidade educativa: com o carinho e o testemunho, gerar confiança nos filhos, inspirar-lhes um respeito amo­roso” (AL 263).

A Leitura orante - Eclo 3, 1-18

No quarto encontro, “ A Espiritualidade Conjugal e Familiar” refletiremos sobre as espiritualidades conjugal e familiar. Algo forte e marcante numa família é o cultivo da oração. Quem reza é forte, sabe abrir novos caminhos, não se sente desamparado.

             A comunhão familiar bem vivida é um verdadeiro caminho de santificação na vida cotidiana, um crescimento interior e um meio para a nossa união íntima com Deus. A família vive sua espiritualidade própria, sendo ao mesmo tempo uma Igre­ja doméstica e uma célula viva para trans­formar o mundo. Para que isso aconteça, a família deve ser entre si um reflexo do amor divino, que conforta com a palavra, o olhar, a ajuda, a carícia, o abraço.

             A oração em família é um meio privile­giado para exprimir e reforçar esta fé pas­cal. Devemos encontrar alguns minutos a cada dia para estar unidos na presença do Senhor vivo, dizer-Lhe as coisas que nos preocupam; rezar pelas necessidades fa­miliares; orar por alguém que está a atra­vessar um momento difícil; pedir-Lhe ajuda para amar, dar-Lhe graças pela vida e pe­las coisas boas, suplicar a Virgem que nos proteja com seu manto de Mãe.

             Deus habita na família real e concre­ta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários, principal­mente quando fazemos nossas orações devemos usar sempre palavras simples, para que este momento de oração se tor­ne um encontro da família com Deus.

             “Nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada de uma vez para sempre, mas requer um progressivo ama­durecimento de sua capacidade de amar” (n. 325). Cada manhã, quando se levanta, o casal deve renovar diante de Deus a de­cisão de fidelidade que fizeram no sacra­mento do matrimônio e que ela permane­ça ao longo do dia pedindo, “Senhor, sustentai-nos para estarmos sempre unidos, que cada um seja para o outro sinal e instrumento da proximidade do Senhor, que não nos deixa sozinhos e sempre nos diz: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).

            Querer formar uma família é ter a co­ragem de fazer parte do sonho de Deus, a coragem de sonhar com Ele, a coragem de construir com Ele, a coragem de unir­-se a Ele nesta história de construir um mundo onde ninguém se sinta só. Toda a vida de família é um pastoreio misericordioso. Cada um desenha e es­creve na vida do outro, enquanto o amor vai assumindo tonalidades diferentes, se­gundo o estado de vida a que cada um foi chamado.

            A Leitura orante - 1 Jo 4,7-11

            Peçamos à Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que abençoe nossas famílias, nossos encontros, nossas comunidades. Que ninguém se sinta excluído, ao contrário, convoquemos mais famílias para que venham caminhar conosco. Estejamos realmente empenhados nesta liturgia doméstica tão importante e iluminadora. Deus abençoe a todos. Para melhor vivermos esta família devemos sempre rezar, em comunhão com o Papa Francisco, à Sagrada Família para que nossas famílias sejam sinais da miseri­córdia de Deus.

            “ Jesus, Maria e José, em vós contem­plamos o esplendor do verdadeiro amor, confiantes, a Vós nos consagramos. Sa­grada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas es­colas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas. Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episó­dios de violência, de fechamento e divi­são; e quem tiver sido ferido ou escan­dalizado seja rapidamente consolado e curado. Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus. Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém! ”

             Para que nossas famílias caminhem de encontro com o pedido de nosso Papa Francisco pedimos: “Deus e Pai de todos nós, em Jesus, vosso Filho e Senhor Nosso, vós nos fi­zestes filhos e filhas na família da Igreja Que vossa graça e vosso amor ajudem nossas famílias em todos os lugares do mundo a permanecerem unidas na fide­lidade ao Evangelho. Que o exemplo da Sagrada Família, com o auxílio de vosso Santo Espírito, guie todas as famílias, especialmente as mais atribuladas, para que sejam lares de comunhão e oração e sempre busquem vossa verdade e vivam em vosso amor. ”

            Feliz e santa Semana da Família para todos.

 

Antonio Carlos e Elizabet Fonseca Furtado

V Curso da UF/SP

 

Clique para abrir o PDF